Proposta de emenda à Constituição é uma das prioridades do governo neste ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 21:01 Lula Tenta Mediar Conflito entre PT, Boulos e Alcolumbre sobre PEC 6x1 Articuladores de Lula buscam apaziguar tensões entre Guilherme Boulos, bancada do PT e Davi Alcolumbre sobre a PEC do fim da escala 6x1. A proposta, prioritária para o governo, enfrenta resistência no Senado, gerando críticas de petistas a Alcolumbre, que se afastou do Planalto após rejeitar nome de Lula ao STF. A estratégia é evitar confrontos diretos para não atrasar a votação, enquanto o PT mobiliza militância para pressionar o Senado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Articuladores políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentam conter o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a bancada do PT na Câmara no embate com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a votação do fim da escala 6x1 na Casa. O texto chegou para análise dos senadores em 28 de maio, após ser aprovado pela Câmara, e é uma das prioridades do Palácio do Planalto às vésperas da campanha eleitoral. Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos e Lindbergh Farias são alvo de queixas de Alcolumbre — Foto: Kayo Magalhães / Brenno Carvalho / Ailton Freitas Alcolumbre se queixou de Boulos e de deputados petistas como Lindbergh Farias (RJ), Gleisi Hoffmann (PR) e Pedro Uczai (SC), líder da bancada, para a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). O senador demonstrou incômodo com os que vê como ataques diretos a ele. No Senado, há críticas à postura de deputados petistas até mesmo entre senadores do PT. A avaliação é que dirigir críticas diretas a Alcolumbre não é a melhor estratégia para destravar a votação da 6x1 e que isso pode até levar ao maior adiamento da apreciação do texto na Casa. Cabe ao presidente do Senado despachar a matéria para análise dos senadores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, destravando o rito regimental. No Senado, governistas consideram que faz parte do mandato de deputados pressionarem individualmente para votação de projetos de interesse do Palácio do Planalto, porém, apontam que tratar Alcolumbre como “inimigo do povo” pode não surtir o efeito que os petistas esperam. Procurados, Alcolumbre, Boulos e Uczai não se manifestaram. Lindbergh e Gleisi afirmaram que não fazem ataques pessoais. Articuladores de Lula na Casa têm feito apelos a esses parlamentares e ao ministro para que contenham investidas diretas em Alcolumbre. 'Errando feio' Em 30 de junho, o ministro palaciano fez críticas ao presidente do Senado em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação, e afirmou que ele está "errando feio" e "brincando com fogo" ao manter parada a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim escala de trabalho 6x1. — Mais que isso, ele está brincando com fogo, porque quando ele deixa uma pauta como essa parada na gaveta, sem nenhuma justificativa de mérito, política ou de qualquer ordem, parece que isso é do jogo do Executivo com o Legislativo, é do jogo da disputa partidária. Alcolumbre se afastou do Palácio do Planalto e do próprio Lula com a rejeição do nome de Jorge Messias a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF), impondo derrota histórica ao presidente da República. Desde então, as duas autoridades não se falam, e Alcolumbre já sinalizou a interlocutores de Lula que as propostas de interesse do Planalto só deverão caminhar no Senado após um encontro entre eles — o que ainda não ocorreu. Como mostrou O GLOBO, Alcolumbre já havia se queixado da fala de Pedro Uczai à própria Teresa Leitão. O líder do PT na Câmara afirmou que o senador vai ser tratado como "inimigo dos trabalhadores" se não pautar a PEC. Horas depois, Alcolumbre divulgou nota repudiando o ocorrido e afirmando que “ameaças não serão mais toleradas”. Apesar das queixas, no entanto, o partido de Lula tem incentivado a militância a pressionar o Senado para destravar a pauta. Em um dos grupos de WhatsApp do Porta-Vozes do Lula, iniciativa lançada pelo partido para reforçar a presença digital de Lula e fazer frente ao bolsonarismo, foi lançada a campanha da “semana da pressão pelo fim da escala 6x1”, com publicações, cards e vídeos de aliados de Lula, entre eles a ex-ministra Marina Silva (Rede-SP) e a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ). Em uma mensagem, foi enviado um áudio do presidente nacional do PT, Edinho Silva, fazendo coro à cobrança e citando que Lula é “o grande protagonista dessa luta e a grande liderança” que atua para que ela seja implementada. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos vice-líderes do governo na Câmara, afirmou à reportagem que “Alcolumbre sentou em cima” da PEC e que é preciso fazer “essa disputa política na sociedade”. Ele já foi às redes criticar a postura do presidente do Senado nesse processo de análise da PEC. — Quem está fulanizando a questão é o próprio Alcolumbre. Não podemos ter num momento como esse uma linha de conciliação que nos deixe sem discurso. Só há um jeito de forçar a mobilização: é cobrando, algo que é um direito legítimo — diz. Segundo ele, “a conciliação pela conciliação” levou o governo a um grande “erro” na decisão de retirar o regime de urgência de um projeto sobre a 6x1 que trancaria a pauta do Congresso e forçaria o debate da PEC. — Alertei isso naquele momento. Essa linha não vai prevalecer entre a nossa militância. A escala 6x1 para nós é prioridade absoluta —completou. As queixas também foram feitas por Gleisi, ex-ministra da articulação política de Lula. Em publicação nas redes, afirmou que o Senado está de "braços cruzados" e disse que "Alcolumbre tenta justificar o atraso dizendo que o Senado não vai apenas carimbar” o texto. — O debate político não pode chatear ninguém. Não faço ataques pessoais, mas cobro responsabilidades. E a responsabilidade da pauta do Senado é de seu presidente — afirma Gleisi. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma das PECs reunidas na proposta de emenda à Constituição aprovada na Câmara e uma das principais parlamentares a defender o fim da escala 6x1, escreveu nas redes sociais que o povo está cansado de esperar e que é “hora de o povo botar os deputados e senadores para trabalhar” e cobrar “cada político desse país”.