Uma ala do governo aposta em buscar reabrir o diálogo; outra, entende que presidente não deveria receber senador O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre — Foto: Cristiano Mariz RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 22:14 Lula e Alcolumbre Planejam Reunião para Debater PEC e Relação Tensa O presidente Lula sinalizou a intenção de receber Davi Alcolumbre, presidente do Senado, para discutir temas como a PEC do fim da jornada 6x1. A relação entre ambos está tensa após a rejeição de Jorge Messias ao STF, liderada por Alcolumbre. Enquanto uma ala do governo defende a reaproximação para avançar a agenda governista, outra acredita que Lula não deveria ceder às pressões do senador. As conversas são estratégicas em um ano eleitoral. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Lula sinalizou a auxiliares que deve atender ao pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e recebê-lo para conversar. Entre os temas está a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da jornada 6x1, prioridade do Palácio do Planalto para as eleições, mas certamente outros tópicos entrarão no cardápio. A relação entre Planalto e Senado se deteriorou depois da articulação feita pelo senador para derrubar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), impondo derrota histórica ao governo Lula. O presidente não tem escondido de aliados o descontentamento com Alcolumbre. A despeito do incômodo generalizado com a atuação de Alcolumbre no episódio Messias e de outras estocadas no governo, como travar projetos como o do Redata (incentivo para o setor de data centers, uma importante fronteira de novos investimentos), há diferenças de visão sobre como lidar com o chefe do Congresso. Uma ala do governo aposta em buscar reabrir o diálogo e tentar reconstruir a ponte entre os dois chefes de Poderes, sob o argumento de que é preciso dar andamento à agenda governista, além de evitar ruídos com o Congresso em ano eleitoral. Outra ala, no entanto, entende que Lula não deveria receber Alcolumbre em um contexto no qual o senador estaria colocando “a faca no pescoço” do governo para tentar arrancar concessões em um momento mais delicado politicamente para ele em seu estado, o Amapá. Esses aliados, da ala considerada mais política, dizem que é preciso entender como se daria essa aproximação, de forma a não mostrar o petista cedendo à pressão do senador. A falta de uma data concreta para o encontro entre as duas autoridades parece derivar desse conflito sobre qual seria a melhor estratégia para o Planalto. Em meio às discussões, a melhora de Lula nas pesquisas eleitorais e também de aprovação do governo, em um contexto de baixa em seu estados, são apontados por alguns interlocutores do governo como fatores que podem forçar Alcolumbre a baixar mais a guarda e tentar acelerar um processo de reaproximação com o governo. Por enquanto, contudo, para além de um pedido para encontrar o presidente, o chefe dos senadores não fez nada de concreto mais relevante para mostrar uma bandeira branca ao Planalto, na avaliação de governistas. A mais recente canelada, a despeito de justificada por uma pressão exacerbada da bancada ruralista, foi a aprovação do projeto de renegociação de dívidas do agro, mesmo com os fortes apelos da equipe econômica para que o tema não fosse levado à votação.