A unidade de conservação mais visitada do Brasil, a APA (Área de Proteção Ambiental) da Baleia Franca, no litoral de Santa Catarina, recebeu mais de nove milhões de pessoas em 2025, segundo dados do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Mas, se depender de um projeto que tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, de autoria da deputada Geovania de Sá (Republicanos-SC), sua existência está seriamente comprometida.

A APA, criada há 26 anos, soma 156 mil hectares e 130 quilômetros de costa, entre Florianópolis e Balneário Rincão, e é considerada o principal berçário da espécie ameaçada de extinção. Desde 2013, a observação embarcada das baleias é proibida na área, na contramão da maioria dos pontos de whale watching, que atraem a cada ano centenas de embarcações levando a bordo os gritinhos e caixas de som de turistas ansiosos por um flagrante.

Sem barcos perto das enseadas onde as fêmeas dão à luz, a observação da baleia-franca-austral (Eubalaena australis) se dá exclusivamente a partir de praias, dunas, trilhas e mirantes estratégicos da APA. O resultado dessa proteção é que a população monitorada pelo Instituto Australis de Pesquisa e Monitoramento Ambiental, entidade civil sem fins lucrativos criada em 2015 para auxiliar na manutenção das atividades do Programa de Pesquisa e Conservação da Baleia Franca, é de cerca de 800 indivíduos —um crescimento anual de 4,8% ao ano na série histórica de 20 anos da entidade. Para efeito de comparação, entre os anos de 1973 e meados dos 1980, não havia um único registro da espécie no litoral brasileiro, por causa principalmente da caça voltada à extração de óleo para iluminação.