Leitura abaixo do esperado do índice de preços ao produtor dos EUA reforçou projeção do mercado de que Fed terá maior flexibilidade para determinar rumo da política monetária Placa de Wall Street — Foto: Michael Nagle/Bloomberg A leitura abaixo do esperado para o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA reforçou a projeção do mercado de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) terá maior flexibilidade para determinar o rumo da política monetária, o que leva os rendimentos dos Treasuries e o dólar no exterior a caírem nesta quarta-feira (15). As bolsas americanas perderam tração na primeira parte da sessão e passaram a rondar a estabilidade, pressionadas por ações de chips e semicondutores, apesar do bom desempenho das big techs. Os investidores também repercutem o segundo dia de sabatina do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, desta vez perante o Senado americano. O dirigente reiterou vários pontos já mencionados ontem, como a maior preocupação com o mandato de inflação e sua insatisfação com as métricas para medir o avanço dos preços. O rendimento da T-note de 2 anos recuava para 4,149%, de 4,210% do ajuste anterior, próximo às 13h30. A taxa da T-note de 10 anos cedia a 4,557%, de 4,592%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, tinha queda de 0,23%, aos 100,68 pontos. O PPI caiu 0,3% em junho ante maio, abaixo do consenso do mercado, que apontava estabilidade. O núcleo, que exclui itens voláteis como comércio, energia e alimentos, subiu 0,1%, também abaixo das estimativas dos analistas, de alta de 0,3%. A leitura vem na sequência da queda do CPI para o mesmo mês e reforçou as apostas de que o Fed poderá manter os juros inalterados por mais tempo. “Não há nada nos dados divulgados que gere urgência para o Fed elevar as taxas de juros. Pelo contrário, isso reforça a narrativa de uma pausa em julho e deve exercer pressão de baixa, ainda que marginal, sobre as expectativas para setembro”, avalia Ian Lyngen, da BMO Capital. Há no mercado quem veja um cenário mais complexo para o banco central americano. “A combinação de preços de petróleo mais elevados e de um consumidor americano muito resiliente deve manter a postura do Fed relativamente conservadora (‘hawkish’)”, avalia a equipe de pesquisa do Bank of America. Segundo o banco, a dinâmica de consumo e do mercado de energia significa que os rendimentos dos Treasuries devem permanecer elevados no segundo semestre de 2026, sustentando a demanda dos investidores. Em Wall Street, o índice Dow Jones oscilava -0,06%, aos 52.477,87 pontos, o S&P 500 tinha queda de 0,11%, aos 7.535,29 pontos, e o Nasdaq seguia estável (-0,02%), aos 26.102,51 pontos. O segmento financeiro (+0,82%) avançava após os fortes resultados trimestrais da BlackRock. O setor de tecnologia (-1,48%) operava em queda, pressionado por ações de chips e semicondutores, em mais um ajuste de posições dos investidores. As perdas do segmento acontecem apesar dos ganhos de big techs, como Amazon, Apple, Alphabet e Microsoft. Os preços do petróleo tinham leve queda, revertendo o avanço do início da sessão, apesar dos ataques contínuos entre Teerã e Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que não há planos para negociações neste momento e que o país está concentrado apenas em se defender. O petróleo Brent com entrega para setembro recuava 0,22%, cotado a US$ 84,54 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com vencimento para agosto tinha alta de 0,19%, a US$ 79,19, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Taxas de Treasuries recuam após PPI; bolsas em NY operam estáveis
Leitura abaixo do esperado do índice de preços ao produtor dos EUA reforçou projeção do mercado de que Fed terá maior flexibilidade para determinar rumo da política monetária






