Os dados mais fracos de inflação ao produtor nos Estados Unidos reduziram as apostas de uma alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo Os juros futuros encerraram próximos da estabilidade nesta quarta-feira (15), em meio às preocupações com o cenário eleitoral no Brasil e à divulgação de dados mais fracos de inflação ao produtor nos Estados Unidos, que reduziram as apostas de uma alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo. Ao longo do dia, os vencimentos mais longos chegaram a subir, pressionados pela pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 37%. As taxas, porém, perderam força após o índice de preços ao produtor (PPI) americano vir abaixo do esperado, o que levou ao recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e ajudou a aliviar a pressão sobre a curva doméstica. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 cedeu de 13,90%, do ajuste anterior, para 13,890%; a do DI de janeiro de 2028 caiu de 13,87% para 13,845%; a do DI de janeiro de 2029 recuou de 14,04% para 14,025% e a do DI para janeiro de 2031 teve leve alta de 14,235% para 14,245%. Para o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, a divulgação da pesquisa Genial/Quaest pressionou os juros futuros na abertura, especialmente na ponta longa da curva, ao reforçar as preocupações com o cenário eleitoral e seus desdobramentos fiscais. Por outro lado, o economista destaca, em nota, que a queda de 0,4% do setor de serviços em maio no Brasil, ante a expectativa de recuo de 0,1%, e a leitura mais fraca do que o esperado para o PPI dos Estados Unidos limitaram a alta dos contratos de curto prazo, ao reforçarem a percepção de desaceleração da atividade e de menor pressão inflacionária. Além dos fatores macroeconômicos, operadores afirmam que os leilões do Tesouro também têm influenciado o comportamento da curva de juros. Segundo eles, investidores passaram a antecipar a montagem de posições nos contratos de DI antes das ofertas, movimento que contribui para a alta das taxas longas ao longo do dia, mas que foi amenizado próximo ao fim do pregão. Segundo um gestor de renda fixa, sob condição de anonimato, o ambiente externo teve um peso mais relevante para o comportamento da curva de juros nesta quarta-feira, com a queda mais acentuada dos rendimentos dos Treasuries. O rendimento da T-note de dois anos recuou de 4,210% para 4,143%, enquanto o da T-note de dez anos caiu de 4,592% para 4,555%. Embora os investidores tenham reagido ao levantamento eleitoral, a fonte ressalta que pesquisas de “tracking” (levantamentos diários que acompanham a evolução das intenções de voto) já indicavam uma melhora no desempenho do presidente Lula. Por isso, na avaliação do gestor, a reação dos ativos foi mais contida. Na avaliação do HSBC, as perspectivas para a inflação melhoraram de forma significativa nas últimas semanas. Em relatório, o banco afirma que a desinflação mais intensa dos alimentos e o impacto mais tardio do El Niño levaram à revisão das projeções de curto prazo. Com isso, a expectativa para o IPCA no fim de 2026 passou de 5,2% para 4,9%. “Embora essa melhora seja explicada principalmente por itens mais voláteis da cesta do índice, acreditamos que o cenário mais benigno para a inflação no curto prazo deve reforçar a revisão para baixo das expectativas de inflação mais amplas, movimento que já começou a aparecer nas últimas semanas na pesquisa Focus do Banco Central”, escrevem os profissionais. Diante desse cenário, o HSBC passou a projetar um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), ante a expectativa anterior de manutenção da taxa. Após o encontro, porém, o banco prevê uma “longa pausa” no ciclo de política monetária, até março de 2027. A projeção para a Selic no fim de 2026 foi revisada de 14,25% para 14,00%, enquanto a estimativa para o fim de 2027 foi mantida em 12,25%. — Foto: Karolina Grabowska/Pexels