Relatório final da Operação Sem Desconto afirma que recursos eram desviados para empresas de fachada e usados para pagamento de agentes públicos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Facha do prédio do INSS em Brasília — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 17:50 PF Revela Esquema de Desvio de R$ 708 Milhões no INSS pela Conafer Um relatório da Polícia Federal revela que a Conafer desviou R$ 708 milhões de aposentados em um esquema de fraudes no INSS. Os recursos eram lavados por empresas de fachada, enriquecendo ilicitamente os envolvidos e corrompendo agentes públicos. A investigação aponta que a organização era liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes e envolvia operadores financeiros e políticos. O caso está sob análise do STF. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O relatório final da Polícia Federal sobre o núcleo da Conafer na Operação Sem Desconto conclui que o esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS permitiu o desvio de mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas. Segundo a corporação, os recursos eram rapidamente direcionados para empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito dos integrantes da organização e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Na conclusão do documento, que embasou o indiciamento de 48 pessoas, a Polícia Federal afirma que o conjunto de provas reunidas demonstra que os fatos "configuram o crime base da Organização Criminosa, que permitiu o desvio de mais de R$ 708 milhões dos aposentados e pensionistas, dinheiro que era escoado imediatamente para empresas de fachada e usado para enriquecimento ilícito e corrupção de agentes públicos". Ao longo de mais de 800 páginas, o relatório descreve uma estrutura que, segundo a investigação, era liderada pelo presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e contava com operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos responsáveis por garantir a continuidade do esquema. De acordo com a PF, a organização atuava de forma estruturada para inserir descontos associativos sem autorização em benefícios previdenciários e, posteriormente, ocultar a origem dos recursos por meio de empresas ligadas aos investigados. A investigação aponta que a Conafer arrecadou mais de R$ 700 milhões entre 2019 e 2024 por meio dos descontos associativos. Segundo a PF, o dinheiro ingressava nas contas da entidade e era rapidamente distribuído para empresas controladas pelos operadores financeiros do grupo. O relatório afirma que 91% desse montante, cerca de R$ 644 milhões, foi direcionado a investigados e empresas a eles vinculadas. A corporação identificou dois principais núcleos responsáveis pela movimentação desses recursos. Um deles seria comandado por Cícero Marcelino de Souza Santos e sua esposa, Ingrid Pikinskeni Morais Santos, cujas empresas receberam, segundo a investigação, mais de R$ 312 milhões. Outro teria como operadores Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior e sua irmã, Lucineide dos Santos Oliveira, responsáveis por empresas que também receberam valores provenientes da Conafer e que, segundo a PF, participaram da ocultação do patrimônio do grupo. Segundo a investigação, parte dos recursos também era destinada ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos para assegurar o funcionamento da fraude. A PF afirma que os pagamentos eram feitos por meio de empresas e pessoas interpostas, em uma estratégia para ocultar a movimentação financeira. Entre os investigados indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes. "A investigação demonstrou que os valores desviados eram usados para pagar vantagens indevidas a agentes públicos e políticos, denominados por CARLOS e CICERO como 'Heróis', 'Notáveis' ou 'Amigos', essenciais para a boa fluidez do esquema", afirma a PF. O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá agora à Procuradoria-Geral da República analisar o material produzido pela Polícia Federal e decidir se oferece denúncia contra os investigados.