Em relatório enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, a Polícia Federal detalhou como o esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS teria ocorrido em uma das entidades supostamente beneficiadas, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores (Conafer). Segundo os investigadores, a instituição utilizava programas sociais como fachada para coletar assinaturas e fraudá-las, além de comprar dados pessoais.
A Conafer arrecadou aproximadamente 708 milhões de reais com descontos indevidos entre 2019 e 2024, de acordo com o documento da PF. As mensalidades cobradas de maneira ilícita representariam mais de 97% da receita total, e cerca de 644 milhões de reais (91% do montante) teriam sido desviados para uma rede de empresas de fachada controladas pelos operadores financeiros do esquema para pagamento de propinas e enriquecimento ilícito.
Funcionários da Conafer teriam apresentado os programas Mais Pecuária Brasil e Mais Previdência Brasil na tentativa de firmar acordos de cooperação técnica. Em caso de assinatura do acerto, começava a etapa de captação de produtores. Aqueles que desejassem receber o auxílio dos programas deveriam se inscrever por meio de uma ficha, à qual teriam de anexar documentos pessoais.












