Segundo Andrei Rodrigues, a operação "Sem Desconto" é a investigação que tem o maior efetivo dedicado exclusivamente e já teve nove fases deflagradas Edifício sede do INSS — Foto: Reprodução: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil A Polícia Federal informou que a "operação Sem Desconto", que investiga fraudes contra aposentados do INSS, é a que possui o maior efetivo da corporação atualmente, e que os primeiros relatórios conclusivos sobre esses casos devem ser encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste mês. As informações foram dadas pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pelo diretor-executivo da corporação, William Murad, e pelo diretor de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali. Os três participaram de um café da manhã com jornalistas, nesta sexta-feira (3), e comentaram sobre o andamento da investigação, que é uma das principais em andamento na corporação. “Em breve, muito em breve, na questão da 'Sem Desconto', será apresentado relatório, os que estão ali mais maduros [relatórios], pelo menos, na visão da polícia, com materialidade suficiente e autoria, a gente já pretende entregar esses relatórios se possível ainda neste mês”, afirmou Cali, sem deixar claro qual dos inquéritos deve ser relatado, já que a "operação Sem Desconto" conta com ao menos 13 inquéritos investigando fraudes envolvendo diferentes entidades que faziam débitos indevidos. O diretor, porém, deixou claro que ainda há casos que vão levar mais tempo e fez referência ao braço da investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente Lula (PT) conhecido como Lulinha. Nesta semana, a “Folha de S.Paulo” mostrou que a PF pediu ao STF mais prazo neste caso, alegando ter efetivo reduzido e um amplo material para ser analisado. “A gente pretende não entregar toda operação relatada (neste mês), e essa foi a razão do pedido de dilação de prazo que foi apresentado ao Supremo”, explicou Cali. Segundo Andrei Rodrigues, a "Sem Desconto" é a investigação que conta hoje com o maior efetivo dedicado exclusivamente e que já teve nove fases deflagradas, com 419 mandados de busca e apreensão cumpridos e 27 pessoas presas. Segundo o diretor-geral, até o momento, cerca de 40% do material apreendido foram analisados. “A hipótese criminal no nosso inquérito policial é de esquema de desconto associativo não autorizado, isso não elimina que investiguemos outras circunstâncias”, afirmou Andrei. William Murad também se manifestou sobre a organização das investigações da corporação e explicou que há, atualmente, mais de 40 mil inquéritos em andamento, sendo centenas deles sobre investigações consideradas mais complexas. “Nós estamos absolutamente tranquilos porque a operação citada tem a priorização devida, tanto que é a operação que conta hoje com maior número de recursos disponível, em termos de delegados e analistas. Então, é uma inverdade que a PF não consegue concluir pela escassez de recursos humanos, com a sugestão de que isso está sendo direcionado e não priorizado pensando em processo eleitoral”, afirmou Murad. Troca de área responsável pelas investigações Em maio, a corporação decidiu trocar a área responsável pela condução das investigações da "Sem Desconto", que começaram dentro da divisão de repressão a crimes e passaram a ser conduzidas pela coordenação de inquéritos nos tribunais superiores, onde está a equipe dedicada a investigar autoridades com foro privilegiado. Com a troca, o delegado que vinha conduzindo as investigações sobre Lulinha, Guilherme Leite, acabou deixando o caso alegando razões administrativas. Dentre os argumentos da troca de área pela PF, está o de que a coordenação que atua com casos no STF teria melhor conhecimento e estrutura para investigar casos complexos envolvendo políticos. Pedido de Mendonça A troca chamou atenção do ministro André Mendonça, relator da "Sem Desconto" no Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu à corporação que apresentasse relatórios sobre os andamentos das investigações. Foi no contexto que a PF apresentou seu pedido de mais prazo para a investigação que atinge Lulinha. O Valor apurou que, além do grande volume de informações a serem analisadas, a equipe da PF que cuida da "Sem Desconto" vem passando por trocas de delegados, pois muitos dos integrantes da equipe de investigação são de fora de Brasília e vieram em missão, que tem prazo para acabar. Também há casos de delegados que precisam deixar a investigação por razões pessoais e voltar a seu estado de origem.
PF deve apresentar primeiros relatórios conclusivos sobre fraudes no INSS ainda neste mês ao STF
Segundo Andrei Rodrigues, a operação "Sem Desconto" é a investigação que tem o maior efetivo dedicado exclusivamente e já teve nove fases deflagradas








