O ex-procurador da autarquia Virgílio Ribeiro Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", também foram indiciados Alessandro Antonio Stefanutto, ex-presidente do INSS — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado A Polícia Federal indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador da autarquia Virgílio Ribeiro Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis, além o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e outras 44 pessoas por suspeita de corrupção e outros crimes envolvendo os descontos indevidos realizados pela Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo Valor. O relatório foi o primeiro a ser apresentado pela PF no âmbito das investigações da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril do ano passado e que levou ao afastamento da cúpula do INSS no governo Lula. A investigação se dividiu em diversas frentes e este relatório apresentado ao STF foi o primeiro deles. O documento foi encaminhado na sexta-feira (10) ao ministro André Mendonça, que agora aguarda a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se vai apresentar denúncia contra todos os indiciados. A PF ainda investiga os desvios do INSS em outras frentes, incluindo uma que apura as suspeitas de que o empresário Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, teria atuado como sócio oculto do Careca do INSS. Todas as investigações estão sob sigilo. Nesta frente envolvendo os desvios da Conafer as investigações da PF haviam identificado que a entidade recebeu R$ 708 do INSS decorrentes de descontos em folha de aposentados e pensionistas. Deste total, cerca de R$ 640 milhões teriam sido desviados para empresas de fachadas e operadores financeiros. Neste contexto, os três ex-dirigentes do INSS, Stefanutto, Fidelis e Virgílio foram apontados como suspeitos dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O ex-presidente do INSS é acusado de ter atuado para favorecer os interesses da entidade junto a autarquia e teria, segundo a PF, recebido propinas de R$ 250 mil mensais. Procuradas, as defesas dos investigados informaram que ainda não tiveram acesso ao relatório da PF e que não iriam se manifestar a respeito.