Presidente americano havia sugerido a cobrança na segunda-feira, em meio a nova série de ataques contra o Irã e na véspera da retomada do bloqueio naval ao país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, chega para discursar no almoço do Rose Garden Club na Casa Branca, em Washington, em 6 de julho de 2026 — Foto: Tierney L. Cross / The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 13:14 Trump Descarta Pedágio em Ormuz e Opta por Acordos Comerciais Em meio a tensões crescentes entre EUA e Irã, o presidente Donald Trump inicialmente propôs uma taxa de pedágio de 20% para navios no Estreito de Ormuz, mas rapidamente substituiu a ideia por acordos comerciais e de investimento. A mudança ocorre em um contexto de ataques mútuos e bloqueio naval renovado contra o Irã. Trump enfatizou que o tráfego no estreito está aberto, exceto para navios iranianos, enquanto o Irã respondeu com ameaças e fechamentos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Menos de 24 horas depois de anunciar a cobrança de um pedágio de 20% sobre o valor das cargas dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, o presidente dos EUA, Donald Trump, mudou de ideia e afirmou que o "ressarcimento" pela segurança da passagem naval a ser fornecida pelos americanos será na forma de acordos e investimentos ainda inexistentes. A declaração foi feita em meio a uma nova série de ataques no Golfo Pérsico. "Com base em conversas altamente produtivas com líderes do Oriente Médio, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% devida aos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que os vários Estados do Golfo realizarão nos Estados Unidos. Esses investimentos serão ENORMES, mas, ao mesmo tempo, extraordinariamente benéficos para eles e para o seu futuro", escreveu em sua rede social, o Truth Social, sem detalhar como seriam esses fundos de investimento. Mais tarde, falando a jornalistas na Casa Branca, disse não "considerar justo que “nós fizéssemos a segurança do estreito quando, na prática, não tiramos nada de lá”, que se convenceu de que a ideia dos investimentos das monarquias árabes nos EUA era muito melhor. — Recebi ligações de várias pessoas, de diferentes países , reis, emires e todas aquelas figuras que todos nós conhecemos e admiramos. E eles disseram: "Gostaríamos de fazer isso de uma maneira diferente” — afirmou. — Isso foi muito satisfatório para mim. Acho que, na verdade, é muito melhor.” Na longa publicação, marcada por autoelogios, informações de reputação questionável e ameaças às autoridades iranianas — chamadas de "violentas e maliciosas", que conduzem o país por um caminho de destruição total — o presidente disse ainda que o tráfego no Estreito de Ormuz está aberto a todos os navios, menos os do Irã. Na segunda-feira, o Comando Central dos EUA anunciou a retomada do bloqueio aos portos iranianos, suspenso após a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã em junho, e a previsão é de que ele entre em vigor às 17h, pelo horário de Brasília. "Acabaram-se os dias em que o Irã matava centenas de milhares de pessoas, incluindo 52.000 manifestantes; e, o mais importante: o Irã jamais terá uma arma nuclear!", bradou Trump, logo depois de afirmar que "o petróleo está fluindo como nunca antes, graças ao incrível poder das Forças Armadas dos Estados Unidos". Desde a semana passada, quando embarcações foram atingidas por mísseis atribuídos ao Irã, e instalações em território iraniano foram bombardeadas pelos americanos, o cessar-fogo em vigor desde junho está por um fio. Rotas navais pelo Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte Nas últimas três noites, várias cidades no Irã, especialmente na costa, foram duramente atacadas, deixando quase 30 mortos — em resposta, a Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra Jordânia, Kuwait, Catar e Bahrein, onde os EUA têm bases, e atacou ao menos três navios que trafegavam por uma rota alternativa em Ormuz, na costa de Omã. Teerã ainda anunciou o fechamento do estreito, e um porta-voz do Exército disse que a passagem nunca será reaberta através da guerra. — O presidente agressivo e corrupto dos Estados Unidos deve aprender a respeitar o direito internacional, os direitos das nações e a dignidade dos povos. Como já afirmamos anteriormente, o Estreito de Ormuz jamais será reaberto por meio de guerra, hostilidade ou atos de agressão dos Estados Unidos — disse o brigadeiro-general Mohammad Akrami-Nia na segunda-feira. Neste cenário, Trump determinou a retomada do bloqueio aos portos iranianos, a intensificação dos bombardeios e surpreendeu ao defender a cobrança de um pedágio, ou taxa de segurança, dos navios que passarem por Ormuz: para ele, um ressarcimento pela segurança fornecida pelos EUA. A proposta é similar à cobrança parcialmente estabelecida pelo Irã desde meados de março, que chegaria a até US$ 2 milhões por embarcação que transitasse por sua rota "segura". Como esperado, nenhum governo aliado saiu em defesa da ideia do republicano, e ele desistiu da cobrança (ou lhe deu nova roupagem), culpando assessores pela elaboração da proposta. Pouco depois da mudança de rumo de Trump, 180 parlamentares ligados aos setores mais conservadores da República Islâmica emitiram uma declaração na qual consideram que o memorando de entendimento não está mais em vigor e exigem que o Estado se vingue da morte de Ali Khamenei, vitimado em um ataque aéreo em Teerã no fim de fevereiro. O texto cita as declarações do presidente americano que, na semana passada, disse que o cessar-fogo havia chegado ao fim. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de renovar o bloqueio "de certa forma, desmantelou o memorando de Islamabad". (Com AFP e New York Times)