Em troca, presidente americano disse que países do Golfo farão investimentos 'enormes' nos Estados Unidos O presidente Donald Trump fez um discurso na Casa Branca durante a apresentação do próximo Grande Prêmio Liberdade 250, em 13 de julho de 2026, em Washington — Foto: AP/Alex Brandon O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na terça-feira a retirada da taxa de trânsito de 20% sobre o valor da carga de navios escoltados por militares americanos na passagem pelo Estreito de Ormuz — que ele havia proposto na véspera. Ao mesmo tempo, anunciou ter reinstalado o bloqueio naval a todos os portos iranianos, como parte da mais recente escalada do conflito. Leia também: Washington também reiniciou uma nova rodada de ataques “para continuar a degradar as capacidades iranianas usadas para atacar navios comerciais”, disseram militares dos EUA. “Com base em conversas altamente produtivas com a liderança do Oriente Médio, decidi substituir a Taxa de Reembolso dos Estados Unidos de 20% por Acordos Comerciais e de Investimento que os diversos Estados do Golfo farão com os Estados Unidos”, escreveu Trump. Teerã fechou novamente o estreito após as hostilidades entre o Irã e os EUA terem sido retomadas na semana passada. A sequência de ataques fragilizou ainda mais o precário cessar-fogo alcançado em junho, após combates iniciados em 28 de fevereiro — com americanos e israelenses bombardeando alvos iranianos e causando uma disparada nos preços de energia. O barril do petróleo tipo Brent fechou a terça-feira em US$ 84,73, alta de 1,7% em relação à abertura. As hostilidades entre os EUA e o Irã se intensificaram na última semana com uma série de ataques aéreos de retaliação, à medida que os dois países se aproximam de um retorno à guerra em grande escala. Ontem, o Exército dos EUA iniciou sua sétima rodada de ataques contra o Irã, de acordo com o Comando Central dos EUA, que supervisiona as operações militares americanas no Oriente Médio. A imprensa iraniana informou que a ilha de Qeshm foi atacada duas vezes na noite de terça e que a cidade de Ahvaz, no sudoeste do país, foi atingida por projéteis americanos. A agência de notícias estatal iraniana, Irna, também relatou explosões “fortes” na cidade portuária de Bandar Abbas. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que sua marinha e força aeroespacial também fez ataques com mísseis e drones à noite, destruindo vários armazéns usados para estocar armas e peças para “navios e aeronaves do inimigo” na Base Aérea de Sheikh Isa, no Bahrein. Trump abre mão de cobrar taxas de navios em Ormuz — Foto: Reprodução/Truth Social Os iranianos também disseram que o ataque teve como alvo a área de lançamento de drones MQ-9 na Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, destruindo vários deles. “Os atos de agressão dos EUA não alcançarão nada além de atrasar a reabertura do Estreito de Ormuz”, disse o comando iraniano em um comunicado. Washington afirmou que seus ataques têm como objetivo punir Teerã por atingir navios no estreito e reduzir a capacidade do Irã de lançar mais ataques. Na segunda-feira, Trump exigiu o pagamento de uma taxa de 20% de aliados como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait, alegando que os EUA tinham o direito de cobrá-la por atuarem como “guardiões” do estreito. No Salão Oval, no entanto, ele disse na terça-feira ter mudado de ideia sobre a cobrança após ligações de líderes do Golfo: “Eles disseram: ‘Adoraríamos fazer de uma maneira diferente. Adoraríamos investir bilhões e bilhões de dólares nos EUA’”. Não houve confirmação imediata de quaisquer promessas de investimento por parte dos países do Golfo. Ao mesmo tempo em que retomava a guerra no Irã, porém, Trump sofreu um pesado revés político no Senado — onde democratas bloquearam US$ 1,15 trilhão na lei anual para a política de defesa. Os senadores democratas também criticaram a decisão de Trump de levar adiante o envolvimento de forças militares sem consulta ao Congresso. Não está claro como o governo americano disporá de seu orçamento para financiar a guerra, mas Trump vinha se esforçando para que o Congresso lhe concedesse um “cheque em branco” — como define a oposição democrata — ao presidente. “Trump iniciou esta guerra sem autorização, sem uma estratégia e sem uma saída”, disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, ao anunciar que votaria contra os recursos. Embora os votos favoráveis tenham superado o número de contrários, por 50 a 46, seriam necessários os votos de ao menos 60 dos 100 senadores para que a proposta fosse levada adiante. (Com agências internacionais)