PUBLICIDADE Rede de clínicas oncológicas vive crise financeira há meses. Cenário já fez tratamentos de pacientes de planos de saúde ser 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oncoclínicas encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 08:52 Oncoclínicas busca recuperação extrajudicial para sanar dívidas de R$ 5,1 bilhões A Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 5,1 bilhões, após enfrentar uma grave crise financeira que interrompeu tratamentos de câncer. A empresa busca reestruturar seu passivo, com alavancagem de 4,3 vezes o Ebitda, acima do contrato com credores. A tentativa de criação de uma joint venture com Porto Seguro e Fleury foi abortada, e acionistas minoritários pressionam por uma oferta pública de aquisição. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Oncoclínicas fechou acordo para entrar em processo de recuperação extrajudicial. Imersa numa crise financeira há meses, a rede de tratamento de câncer tenta reestruturar um passivo que chega a R$ 5,1 bilhões. A abertura do processo de reestruturação era prevista para acontecer na semana passada, mas entraves burocráticos acabaram adiando a iniciativa. Em fato relevante enviado ao mercado na manhã desta terça-feira, a companhia destaca que 37% dos credores abrangidos aderiram ao plano. "Nos termos da legislação aplicável, a Oncoclínicas dispõe do prazo de 90 dias para obter o percentual mínimo necessário à homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando, assim, a vinculação de 100% dos Créditos Abrangidos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no Plano", diz o documento. A recuperação não abrange obrigações operacionais da rede de clínicas, como pagamentos relacionados a fornecedores. "As operações da Oncoclínicas seguem sendo conduzidas normalmente no atendimento a clientes, fornecedores e colaboradores, de modo que a recuperação extrajudicial não impactará quais outras obrigações da compoanhia", destaca o texto. A reestruturação, segundo a companhia, poderá envolver medidas como a injeção de recursos pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em ações da empresa, a renegociação de alguns dos débitos por novos empréstimos e a ampliação do prazo para pagamento aos credores. O grupo também informou que, como parte da reestruturação, rescindiu o contrato de locação com o fundo imobiliário Tellus Healthcare para a abertura de uma clínica em São Paulo. A multa pela rescisão é de cerca de R$ 76 milhões. Outro contrato cancelado foi o que previa a construção de um hospital em Goiânia, cuja multa ainda está sendo apurada. Em meados de junho, terminou o período de 60 dias de proteção contra credores que a companhia conseguiu na Justiça em abril. A busca por uma blindagem contra a cobrança de dívidas aconteceu dias após a empresa divulgar seu balanço financeiro de 2025, quando registrou prejuízo de R$ 3,67 bilhões. Os números também mostraram que a Oncoclínicas não encerrou o ano com a dívida dentro das condições previstas em contrato com os credores, de alavancagem 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização). Esse indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro. Na Oncoclínicas, a alavancagem ficou em 4,3 vezes. Interrupção do tratamento Na ponta mais sensível, a crise afetou os pacientes com câncer de planos de saúde aos quais a rede é conveniada, que viram atendimentos e sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia serem suspensos por falta de medicamentos. A empresa chegou a realizar um mutirão para regularizar os serviços. No auge da crise, a criação de uma empresa conjunta com a Porto Seguro e o grupo de medicina diagnóstica Fleury foi apontada como uma possível solução para a Oncoclínicas. A negociação, porém, foi retirada da mesa no dia em que a empresa levou à Justiça o pedido de proteção contra credores. Briga por oferta pública de ações Paralelamente, acionistas minoritários pressionam por uma oferta pública de aquisição (OPA) de cerca de R$ 6 bilhões. O pedido é para obrigar a gestora americana Centaurus a pagar aos acionistas um valor superior a R$ 16 por ação, que hoje vale R$ 0,77 na Bolsa. A origem do caso foi a reorganização da fatia do Goldman Sachs na Oncoclínicas, concluída em novembro de 2024. O fundo da Centaurus passou a deter mais de 15% da companhia, um dos gatilhos para a realização da OPA, segundo o estatuto da empresa. Como mostrou a coluna Capital, os técnicos da Comissão de Valores Mobiliários são contra a OPA, mas a decisão caberá ao colegiado do órgão.
Oncoclínicas entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 5,1 bilhões
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