Interrogatórios revelados pelo jornal francês Le Monde indicam que o suposto mandante considerou insuficiente o número de peças roubadas; investigação segue sem confirmar sua identidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedestre se protege do sol com um guarda-chuva em frente ao Museu do Louvre, em Paris, enquanto uma onda de calor recorde atinge uma faixa da Europa Ocidental — Foto: Simon Wohlfahrt / AFP O suposto mentor do roubo milionário ao Museu do Louvre, em Paris, teria repreendido os executores do assalto por não terem levado mais joias da Coroa francesa durante a ação, segundo transcrições de interrogatórios obtidas pelas autoridades francesas e divulgadas neste domingo (12). O crime ocorreu em 19 de outubro de 2025, durou menos de oito minutos e resultou no furto de oito peças avaliadas em cerca de 88 milhões de euros. De acordo com os depoimentos, obtidos pelo Le Monde, os suspeitos Abdoulaye N. e Ghelamallah A. disseram ter sido recrutados apenas dois ou três dias antes do assalto por um homem cuja identidade se recusam a revelar. Eles relataram que receberam um vídeo gravado no interior da Galeria de Apolo para identificar as vitrines que abrigavam as joias ligadas à família de Napoleão. O grupo chegou ao museu em um veículo com plataforma elevatória, acessou uma varanda no primeiro andar, arrombou uma janela, quebrou as vitrines com ferramentas elétricas e fugiu em motocicletas. Durante a fuga, a coroa da imperatriz Eugénia caiu e foi encontrada danificada nas proximidades. Diretora aponta 'decadência' do Louvre e procura governo francês 1 de 10 Infiltrações, 'velharias' e material obsoleto deixam Museu do Louvre em alerta — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP 2 de 10 A presidente e diretora do Louvre alertou para problemas que estão levando o maior museu do mundo à decadência — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Laurence des Cars lamenta "a multiplicação de danos em espaços às vezes muito deteriorados", equipamentos técnicos "obsoletos" — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP 4 de 10 Ela cita também "preocupantes oscilações de temperatura que colocam em risco o estado de conservação das obras" — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 A sala que abriga a Mona Lisa, admirada por cerca de 20 mil visitantes todos os dias, não foi afetada por esses danos, por exemplo — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP 6 de 10 Em novembro de 2023, uma exposição dedicada aos desenhos de Claude Gillot teve que ser fechada e transferida após vários dias devido a uma inundação — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Contatado pela AFP, o Palácio do Eliseu (residência oficial do presidente do país) disse que Emmanuel Macron foi alertado sobre a situação e que "falou em várias ocasiões com a ministra e a direção do museu" — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP 8 de 10 Laurence des Cars também fala da pirâmide de vidro, inaugurada em 1988 e "estruturalmente defasada" em um edifício projetado para receber quatro milhões de visitantes por ano, e que em 2025 recebeu quase nove milhões — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Outro problema é a falta de espaços para descansar e se alimentar, além dos banheiros, que estão abaixo dos padrões internacionais — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP 10 de 10 Segundo Christian Galani, do departamento de Cultura do sindicato CGT, "não passa um dia sem que se veja a degradação do edifício" — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP X de 10 Publicidade Sala que abriga Mona Lisa, porém, não foi afetada Mentor e investigação Abdoulaye N. afirmou que, após entregar as joias ao suposto organizador, ouviu críticas por não terem levado um número maior de peças. — Ele disse que poderíamos ter roubado mais — teria declarado o suspeito aos investigadores, segundo as transcrições. Apesar do relato, a polícia francesa ainda não conseguiu confirmar a existência do alegado mentor nem se o grupo agiu sob ordens de terceiros. Abdoulaye N. afirmou ter aceitado participar do assalto por dificuldades financeiras, em troca de uma promessa de pagamento entre 15 mil e 20 mil euros, além de uma possível participação na venda das joias. Já Ghelamallah A. alegou que acreditava estar envolvido no roubo de uma joalheria e só descobriu que o alvo era o Louvre no momento da ação. Os dois investigados também disseram ter se recusado a identificar o suposto mandante por medo de represálias. — As pessoas envolvidas não são santas — afirmou um deles. O outro declarou ter recebido ligações na prisão orientando que permanecesse em silêncio. As joias roubadas seguem desaparecidas. Os investigadores trabalham com a hipótese de que as peças tenham sido entregues a uma rede internacional de receptação, mas também consideram a possibilidade de terem sido desmontadas para a venda separada das pedras preciosas. O caso ainda revelou falhas na segurança do Louvre: uma auditoria posterior apontou que apenas 39% das salas contavam com videovigilância, além de indicar que diversas melhorias recomendadas havia anos permaneciam sem execução, segundo The Guardian e Le Monde.
Roubo no Louvre: mentor do crime teria achado pouco saque de 88 milhões de euros e criticado grupo por não levar mais joias
Interrogatórios revelados pelo jornal francês Le Monde indicam que o suposto mandante considerou insuficiente o número de peças roubadas; investigação segue sem confirmar sua identidade













