Os trabalhadores da Hyundai Motor iniciaram nesta segunda-feira uma greve parcial de três dias, já que seu sindicato exige bônus maiores — seguindo acordos históricos firmados por empresas do setor de semicondutores — e busca garantias de que os empregos não serão substituídos por IA e robôs. Os funcionários da produção da maior montadora da Coreia do Sul interromperão o trabalho duas horas antes do fim do turno até quarta-feira, depois que as negociações salariais da semana passada terminaram sem acordo. Os líderes sindicais pretendem se reunir novamente na quinta-feira para discutir os próximos passos, ao mesmo tempo em que mantêm negociações reservadas com a empresa. O principal impasse nas negociações deste ano gira em torno da antiga reivindicação do sindicato de assegurar um bônus por desempenho equivalente a 30% do lucro líquido consolidado do ano anterior. Durante décadas tratada pela empresa apenas como uma posição inicial de negociação, a demanda ganhou força depois que as gigantes de tecnologia Samsung Electronics e SK Hynix concederam recentemente bônus expressivos aos trabalhadores do setor de semicondutores, permitindo que compartilhassem os lucros extraordinários gerados pelo boom da inteligência artificial. Os trabalhadores da Hyundai Motor também estão na linha de frente da automação e da ascensão dos robôs humanoides. A montadora planeja introduzir o robô humanoide Atlas em suas fábricas nos Estados Unidos a partir de 2028 para executar tarefas repetitivas e de alto volume, como a separação e preparação de componentes para veículos (kitting), antes de empregá-lo em operações de montagem mais complexas até 2030. O robô Atlas, da unidade Boston Dynamics da Hyundai — Foto: Bing Guan/Bloomberg O sindicato pressiona a administração para garantir a segurança da renda dos trabalhadores por meio de negociações formais antes de qualquer implantação dos robôs Atlas, além da adoção de um sistema de salário mensal integral, destinado a proteger a remuneração fixa contra uma eventual redução das horas de trabalho humano provocada pela automação. Todo mundo quer falar com o 'Cláudio': IA vira febre e rivaliza com o ChatGPT Os trabalhadores também reivindicam a elevação da idade de aposentadoria de 60 para 65 anos, permitindo que permaneçam mais tempo em atividade. Além dos pagamentos já previstos, o sindicato exige o aumento dos bônus regulares de 750% para 800% do salário mensal, bem como um reajuste de 149.600 wons (cerca de US$ 100) no salário-base. Nas negociações da semana passada, a Hyundai ofereceu um aumento de 89.000 wons no salário-base, um bônus por desempenho equivalente a 350% do salário, acrescido de 10 milhões de wons em parcela única e 15 ações da empresa. O sindicato rejeitou a proposta, afirmando que ela ficou abaixo das expectativas. Perdas na produção A paralisação pode provocar perdas superiores a 18,7 bilhões de wons por hora, segundo a agência Yonhap News. Em uma greve parcial semelhante realizada no ano passado, 16 horas de paralisações escalonadas resultaram em uma redução estimada da produção de cerca de 7.000 veículos, causando à empresa perdas superiores a 300 bilhões de wons em receitas, com base no preço médio dos automóveis. A interrupção de três dias tem impacto particularmente significativo porque a Coreia do Sul continua sendo o principal centro logístico da rede de produção da Hyundai, respondendo por quase metade de suas vendas globais anuais. Com mais de 1 milhão de veículos produzidos no país destinados à exportação todos os anos, qualquer gargalo prolongado nas fábricas sul-coreanas poderá rapidamente afetar as cadeias globais de suprimentos e os estoques das concessionárias da empresa. A Hyundai não comentou o impacto imediato da greve, mas Choi Yeong Il, chefe da produção doméstica, classificou algumas das reivindicações dos trabalhadores como desproporcionais e alertou contra o uso de paralisações para pressionar por uma participação maior nos lucros. "As greves anteriores não produziram nada além de perdas irreversíveis de produção, redução dos salários dos trabalhadores e duras críticas de nossos clientes e do público", afirmou Choi em comunicado divulgado na sexta-feira. Ele acrescentou que a empresa não fará concessões nem compensará os salários perdidos em decorrência da greve.
Trabalhadores da Hyundai Motor entram em greve por bônus e garantias de emprego diante do avanço dos robôs
Funcionários vão parar por três dias duas horas do fim do turno












