Vídeos inéditos e documentos revelam como o traficante trocava armas por cocaína na Colômbia e o medo de ser extraditado para a Justiça americana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O traficante Fernandinho Beira-Mar presta depoimento à Justiça brasileira — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/07/2026 - 12:09 Fernandinho Beira-Mar revela troca de armas por cocaína com as Farc Fernandinho Beira-Mar, famoso traficante brasileiro, detalhou em depoimento seu esquema com as Farc para trocar armas por cocaína na Colômbia. Ele viveu escondido por mais de dois anos, temendo extradição para os EUA. Vídeos e documentos revelam seu julgamento nos EUA, onde é acusado de tráfico e conspiração. Beira-Mar ainda consta na lista de sanções dos EUA, sendo identificado como um dos principais traficantes internacionais de drogas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O traficante Fernandinho Beira-Mar explicou, em depoimento, como funcionava o esquema que montou com a guerrilha colombiana, as Farc na Colômbia, para o comércio ilegal de cocaína. O criminoso brasileiro dava dinheiro, armas e munições em troca dos entorpecentes. Ele também explicou como viveu por mais de dois anos escondido na Colômbia com uma identidade falsa, revelou sentir medo de ser preso e extraditado para os Estados Unidos, e narrou o episódio que resultou em sua captura, após ser baleado em tentativa de fuga. Essas atividades fizeram com que Beira-Mar fosse classificado como um dos principais traficantes estrangeiros de drogas com base na “Foreign Narcotics Kingpin Designation Act”, a Lei de Designação de Chefes do Narcotráfico Estrangeiro. Os vídeos com a íntegra do depoimento de Beira-Mar prestado em 2022 foram obtidos pelo EXTRA. A publicação teve acesso a documentos que integram o processo 1:02-cr-00112 e foram apresentados ao Grande Júri do Distrito de Columbia, em Washington, nos Estados Unidos. Neles, constam os indiciamentos de Fernandinho Beira-Mar e Leonardo Dias de Mendonça por conspiração para importar cocaína e para fabricar e distribuir nos Estados Unidos a droga proveniente da Colômbia. FERNANDINHO BEIRA-MAR: traficante relata como foi a ida para a Colômbia em 1999 Beira-Mar viveu escondido na Colômbia por mais de dois anos, sob o nome falso de Álvaro, após a Operação Gato Negro. Em depoimento, ele relatou o medo constante de ser preso e extraditado para os Estados Unidos, onde já respondia a um processo por tráfico internacional de drogas. O brasileiro também admite envolvimento com as Farc, embora negue em juízo que tenha praticado tráfico de drogas. FERNANDINHO BEIRA-MAR: Traficante diz que era conhecido pelas FARC como primo de Beira-Mar Ferido durante a operação que resultou em sua prisão, o traficante chegou a receber ajuda de guerrilheiros das Farc para ser levado a um hospital na Venezuela — um acordo que a organização mantinha com o então presidente Hugo Chávez. Ele fugiu antes de completar o tratamento, por temer ser capturado em solo venezuelano e enviado aos EUA. FERNANDINHO BEIRA-MAR: Acordo das Farc com Hugo Chávez e fuga para a Venezuela Beira-Mar segue até hoje na lista de sanções do governo americano, que o classifica como um dos principais traficantes internacionais de drogas. Os Estados Unidos identificam grandes traficantes internacionais e, além de tentar prendê-los e processá-los, impõe sanções econômicas para restringir o acesso deles a recursos financeiros. Embora o nome apareça grafado de forma errada, com a troca do “z” de Luiz pelo “s”, os documentos não deixam dúvida sobre os crimes atribuídos ao traficante, como tráfico internacional de drogas e conspiração. FERNANDINHO BEIRA-MAR: Como foi a Operação Gato Negro, que levou à prisão O esquema com a Frente 16 Além de um lugar seguro, onde achava que não seria preso, Fernandinho Beira-Mar encontrou em Barranco Minas, na Colômbia, o local ideal para expandir os negócios. Segundo denúncia do Ministério Público da Colômbia, baseada em informações da DEA, o traficante organizou ali o comércio ilegal de cocaína, pagando pela droga com dinheiro, armamento e munições repassados à guerrilha. FERNANDINHO BEIRA-MAR: Traficante conta como era viver na região dominada pelas Farc O agente especial da DEA Sergio A. Henao acrescentou, em depoimento que o EXTRA teve acesso, os detalhes sobre a operação comandada por Beira-Mar. O grupo comandado pelo brasileiro obtinha drogas processadas em laboratórios no leste colombiano e as transportava aos Estados Unidos por meio de aviões. A prova principal é uma agenda apreendida com Eugenio Vargas Perdomo, o Carlos Bolas, administrador das Farc na região. Perdomo foi preso no Suriname em 2002 e depois extraditado para os Estados Unidos. O documento trazia anotações específicas sobre a aquisição da droga, e a perícia confirmou que a letra era de Beira-Mar, com a colaboração de sua ex-mulher, Elisete da Silva Lira. FERNANDINHO BEIRA-MAR: Farc cobrava taxa para deixar traficar Investigação da DEA O funcionamento interno do esquema foi detalhado por Henao em depoimento prestado no processo que corre no Distrito de Columbia, em Washington. Segundo o agente da DEA, o colombiano Guillermo Gálvez Pardo administrava toda a produção da cocaína, do refino à entrega, fornecendo a droga a Tomás Molina Caracas — o Negro Acácio, chefe da Frente 16, morto em 2007 numa ação do Exército colombiano. Molina Caracas e outros integrantes das Farc revendiam a droga a Beira-Mar, a seu sócio Leonardo Dias de Mendonça e a Emival Borges das Dores, sempre em troca de dinheiro, armas e equipamentos. Em seguida, permitiam a decolagem de aviões carregados de cocaína a partir de Barranco Minas, com destino aos Estados Unidos e a outros países. FERNANDINHO BEIRA-MAR: Traficante nega acusações e diz que Carlos Bolas foi extraditado Indiciamento e arquivamento Documentos do processo 1:02-cr-00112, apresentados ao Grande Júri de Washington, mostram que Beira-Mar e Leonardo Dias de Mendonça foram indiciados por conspiração para importar cocaína e fabricar e distribuir a droga nos Estados Unidos. Ao todo, oito pessoas foram indiciadas pela Justiça americana, que aponta ao menos uma operação em que o grupo teria traficado cinco quilos de cocaína para o país. O processo contra Beira-Mar e Leonardo foi arquivado pela Justiça americana em 2013, sob o entendimento de que ambos já cumpriam pena no Brasil.