0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Esta imagem, extraída de uma gravação de vídeo da AFPTV em 12 de julho de 2026, mostra navios de carga ancorando perto do Estreito de Ormuz, ao largo da costa leste dos Emirados Árabes Unidos, em Khor Fakkan — Foto: AFPTV / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/07/2026 - 12:26 Especialista prevê estabilidade no preço do petróleo antes das eleições nos EUA O especialista Adriano Pires avalia que o preço do petróleo dificilmente retornará ao patamar de US$ 90 a US$ 100 antes das eleições de meio de mandato nos EUA. Uma alta pressionaria a inflação, o que não interessa a Trump. Apesar das tensões no Oriente Médio, não se espera um bloqueio do Estreito de Ormuz. Pires destaca a ligação entre segurança energética e alimentar, com a alta dos preços do gás e diesel impactando a agricultura e transporte. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Apesar da retomada dos bombardeios americanos ao Irã, o sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, avalia que o barril de petróleo dificilmente voltará ao patamar entre US$ 90 e US$ 100 registrado no auge do conflito, em março, pelo menos até as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro. Na avaliação do especialista, uma nova disparada do Brent pressionaria a inflação americana, cenário que não interessa ao presidente Donald Trump, que pode perder a maioria no Congresso. Isso não significa, ressalta Pires, que haverá uma trégua prolongada ou que o fim do conflito está próximo, mas que os ataques não devem resultar em um bloqueio integral do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. — O aumento do petróleo tem efeito quase imediato nas bombas dos postos de combustíveis nos Estados Unidos. O presidente Trump tem reclamado da alta dos preços, das margens de lucro dos postos, mas não dispõe do mesmo poder de influência que o governo brasileiro exerce por meio da Petrobras, capaz de atuar sobre os preços no mercado doméstico. Nos Estados Unidos, uma forte alta do petróleo pode ter um efeito desastroso sobre as eleições de meio de mandato. Depois delas, não se sabe qual será o comportamento de Donald Trump, mas, neste momento, não interessa a ele um salto no preço do petróleo — afirma o especialista. Com mais de três décadas de experiência no setor, Pires destaca que as guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia reforçaram a estreita relação entre segurança energética e segurança alimentar. Isso porque o gás natural é matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados, e a alta de seu preço encarece a produção agrícola. O preço do diesel também exerce impacto direto sobre o custo dos alimentos, especialmente no Brasil, onde o transporte de cargas depende majoritariamente do modal rodoviário. Nesse contexto, o anúncio da Rússia de interromper exportações de diesel acende um sinal de alerta. Terras-raras e minerais críticos são o único interesse de Washington capaz de destravar acordo sobre tarifas, diz negociador — Não há risco de desabastecimento de diesel, mas, sim, de aumento de preços. Nossa dependência do diesel russo já foi maior, mas o fato é que o mercado vive um momento de grande turbulência. Sabemos quando uma guerra começa, mas nunca quando ela termina nem como termina. Nenhum dos lados quer sair derrotado, o que tende a prolongar os conflitos, como ocorreu na Ucrânia. Hoje, o mundo convive com conflitos que envolvem alguns dos principais produtores de petróleo e gás, como Rússia e Irã, além de países da região, como Arábia Saudita e Kuwait, e dos Estados Unidos, que, além de grande produtor, é um dos maiores consumidores de energia do mundo. Como isso vai terminar não se sabe, mas ao que tudo indica ainda vai demorar - avalia Pires.