Enquanto voltava a pé da academia, observava o clima de pós-festa instaurado nas ruas. Era segunda-feira, um dia depois da eliminação do Brasil. Bandeiras rasgadas, enfeites jogados no chão. As pessoas com quem cruzava não estavam nada felizes. Tínhamos uma derrota nas costas. Naquela manhã me forcei a acordar cedo, pois a musculação me ajuda a desfazer o nó na garganta.
Como seguir acompanhando os jogos sabendo que saímos nas oitavas de final? Ouvia as pessoas xingando jogadores, técnico. Pouco se falava em aguardar a próxima Copa do Mundo. Claro, ela está longe. Pisei numa bandeira e me lembrei dos diversos tombos que tomei. Momentos em que tive de me erguer, mesmo sabendo que a derrota e seus resquícios iriam permanecer durante um bom tempo, algumas por mais de quatro anos, algumas até hoje.
Já disse aqui, muitas vezes, que tive certeza que não conseguiria recomeçar. Filmes queimados no trabalho, rompimento com amigos e aquela ressaca física e moral. Como dá para levantar a cabeça nessas horas? Naquela segunda-feira, os restos de tristeza e descrédito eram visíveis nas pessoas e foram tomando conta de mim.
Na minha primeira internação, eu me sentia presa, sem futuro, e achava que minha família pensava o mesmo. Estar ali era uma derrota. "Vamos, Alice. Você consegue", meu irmão me dizia quando ia me visitar. "Tudo está igual, nada mudou. Agora é você que tem de sair dessa."







