Quando Eric Stallard, especialista em gerenciamento de riscos e acadêmico, começou a investigar a incidência de demência entre idosos americanos, ficou tão surpreso com suas descobertas que adiou a publicação de seu primeiro artigo sobre o tema por dois anos e meio enquanto verificava novamente seu trabalho. "Eu queria ter certeza absoluta", ele recorda, já que os números desafiavam todas as expectativas. Em vez de confirmar a sabedoria convencional de que os Estados Unidos enfrentavam uma praga crescente da condição, eles mostravam que a proporção de idosos sucumbindo à doença estava, na verdade, diminuindo rapidamente. "Fiquei chocado com as quedas", ele diz.
Stallard trabalha há uma década para corroborar essa revelação. Suas descobertas se tornaram, se possível, ainda mais impressionantes. No ano passado, ele e alguns colegas publicaram uma pesquisa no Journal of the American Medical Association mostrando que, enquanto 40 anos atrás três em cada dez americanos com idade entre 85 e 89 anos tinham demência, em 2024 apenas um em cada dez a tinha.
Além disso, os Estados Unidos não são o único beneficiário dessa tendência. Entre 1988 e 2015, a proporção de idosos que receberam o diagnóstico de demência caiu 13% por década em seis países da América do Norte e Europa, de acordo com um estudo com quase 50 mil pessoas conduzido por Frank Wolters, do Centro Médico Erasmus em Roterdã, e colegas.










