O colunista André Caldeira orienta leitora que não recebeu apoio da liderança para aceitar uma promoção Recebi a oportunidade de assumir uma posição de liderança, mas meu chefe acredita que ainda não estou totalmente pronta. Ele não é contra a promoção, mas diz que vou precisar de acompanhamento constante e que devo ser mais firme nas decisões. O problema é que muitas das atitudes que ele considera essenciais para liderar não combinam com a minha forma de trabalhar. Vale mais a pena adaptar meu estilo ao que ele espera ou devo liderar da forma que considero mais correta? Como fazer com que ele confie em mim para assumir esse cargo?Engenheira, 33 anos A Síndrome do Impostor é um padrão psicológico, descrito em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, no qual uma pessoa duvida de suas próprias competências e realizações, mesmo tendo evidências claras de sucesso, e vive com o medo de ser “descoberta” como uma fraude, apesar de ser genuinamente capaz. Já o Efeito Dunning-Kruger é um viés cognitivo, descrito por David Dunning e Justin Kruger em 1999, segundo o qual pessoas com baixa competência ou conhecimento em uma área tendem a superestimar sua própria habilidade, justamente porque lhes falta a capacidade de reconhecer os próprios erros ou lacunas. Com este gradiente de referências, existem algumas perguntas importantes na situação acima. Por que a profissional recebeu a oportunidade? Quem fez o convite e com base em quais evidências e resultados? Qual é a reputação do chefe e da própria profissional na empresa? Qual é a imagem de ambos na organização? Dois talentos com estilos diferentes? Qual é a preponderância dos estilos de cada um na equação “pessoas + resultados”? O chefe teria maior foco em performance e ela mais nas pessoas? Colunista ressalta que o caminho do crescimento passa pela exposição ao novo e por desafios — Foto: Freepik Por que o chefe disse que ela não está pronta? Seria sua primeira experiência com gestão de pessoas? Existe a prática de feedbacks frequentes para validação de progresso e clareza sobre pontos de atenção? Há um alinhamento recorrente de prioridades entre o chefe e a profissional? “Ser mais firme” nas decisões significa maior assertividade, maior defesa de suas atitudes ou, talvez, uma expectativa de emular o estilo de gestão do chefe? Até que ponto o “não estar pronta” é uma constatação baseada em evidências ou, quem sabe, um gesto de defesa do líder para proteger seu próprio espaço? Qual é o padrão de promoções recentes na empresa? Qual é o perfil dos demais líderes da organização, quando comparados com o do chefe? Em especial, qual é o perfil de liderança do (a) CEO, dentro do chamado “tom do topo”, que influencia diretamente a cultura? Existe uma área de RH estruturada para dar melhor sustentação ao processo da promoção, conversas de carreira, onboarding na nova posição e alinhamento com o chefe? Brené Brown, pesquisadora e autora americana, afirma que “podemos escolher coragem ou conforto, mas não podemos ter os dois. Não ao mesmo tempo”. Em um podcast, ouvi que ela tem uma placa em sua sala na Universidade do Texas com uma frase destinada aos alunos: “Se você está confortável, não está aprendendo”. Desconforto gera aprendizado. Aprendemos muito pela dor do desconforto, pela exposição ao novo, pela extensão de nossas competências ao limite do que damos conta. E, durante o processo da travessia por novos mares e desafios, devemos nos lembrar da Síndrome do Impostor, bem como do Efeito Dunning-Kruger. O caminho do crescimento passa pela exposição ao novo e por desafios. Mas precisa de balizadores: autoconhecimento, autocrítica, validações externas e feedbacks. O que requer alinhamento de direção e “check-points” frequentes para acompanhamento da evolução. André Caldeira é especialista em liderança, CEO do Grupo Proposito, professor do IBGC na formação de conselheiros, host do podcast "Conversas com Propósito" e autor de “EUCorp" Envie sua pergunta, acompanhada de seu cargo e sua idade, para: carreiranodiva@valor.com.br Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.
Como ganhar a confiança do meu chefe para ser promovida?
O colunista André Caldeira orienta leitora que não recebeu apoio da liderança para aceitar uma promoção








