Tribunal lamenta postura de magistrada e diz que tomará medidas administrativas cabíveis ao caso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Desembargadora foi afastada pelo CNJ por 'deboche e excessos verbais' em sessão — Foto: Reprodução de vídeo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/07/2026 - 09:29 CNJ Afasta Desembargadora por Conduta Inadequada e Ofensas Verbais O Conselho Nacional de Justiça afastou a desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain por "deboche e excessos verbais" contra juízes e a OAB-ES. Durante a sessão sobre a reestruturação do TRT-17, a magistrada fez críticas severas ao desempenho da primeira instância e a advogados, comparando o trabalho a "animais". O CNJ abriu processo disciplinar para apurar condutas inadequadas anteriores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar imediato da desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), no Espírito Santo. O órgão avaliou que a magistrada se valeu de "tom jocoso, deboche e excessos verbais" contra juízes e membros da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante uma sessão da última quarta-feira. O caso foi publicado inicialmente pelo Estadão. O julgamento tratava da reestruturação administrativa do TRT-17, em que era analisada a retirada de um servidor de cada secretaria das Varas do Trabalho, na primeira instância, e realocá-los à área administrativa e a gabinetes do segundo grau. A OAB-ES afirmou que a medida poderia prejudicar a prestação jurisdicional e requereu a suspensão da sessão para participar do debate.A desembargadora subiu o tom para reagir aos argumentos contrários à medida. — O primeiro grau não está produzindo nada, enquanto o segundo grau está produzindo loucamente. O que é que a OAB está fazendo aqui? [...] Se o Corregedor disse: 'Vamos reestruturar porque o primeiro grau não está fazendo nada e está cheio de servidor, vamos tirar uns e botar no segundo grau', aí vem a OAB falar de coisa absurda e infundada! [...] Aí vem a OAB dizer: 'Ah, não reestrutura não, não tira servidor da primeira não', mas vocês continuem se ferrando, trabalhando feito uns animais. Porque é isso que a gente faz! A gente coloca 300 processos em pauta de sessão, a gente trabalha pra caramba! — destacou. Na sequência, a magistrada reforçou as críticas aos juízes de primeira instância. — A primeira instância não está julgando o suficiente e está cheia de servidor. A segunda está com pouco servidor e está produzindo feito uma louca, sem saber como [...] Então, vamos ser objetivos, vamos ser responsáveis. Vamos ter compromisso com a Justiça e compromisso com a produtividade — disse ela. O Conselho Superior da Justiça do Trabalho enviou uma reclamação disciplinar à Corregedoria Nacional pela postura de Marise Chamberlain. Ao decretar o afastamento da desembargadora, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, citou "fartos registros audiovisuais e notícias amplamente veiculadas que indicam "o uso de tom jocoso, deboche e excessos verbais direcionados não apenas à entidade de classe, mas também aos magistrados atuantes no primeiro grau de jurisdição". "Diante da gravidade institucional e da repercussão dos fatos, justifica-se a atuação direta deste Órgão cúpula de controle", afirmou Campbell Marques. Ao pedir o afastamento de Marise, a seccional capixaba da OAB argumentou que "a gravidade do pronunciamento se agiganta quando a magistrada, em absoluto descontrole institucional, utiliza-se de termos aviltantes e desumanizadores para descrever a própria atividade funcional", ao dizer que os integrantes do segundo grau trabalham "feito uns animais". Campbell considerou que a permanência da desembargadora nas funções colocaria "em risco a serenidade das sessões de julgamento e a integridade psicológica de servidores, advogados e jurisdicionados". Mencionou, ainda, "repetidos escândalos e desvios de conduta apurados". Em março deste ano, o CNJ aprovou, por unanimidade, a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta da magistrada. O PAD foi aberto com base em manifestações atribuídas a Marise em grupo de mensagens utilizado por integrantes da magistratura do trabalho, nas quais teriam sido feitas declarações consideradas agressivas, com viés político-partidário, além de críticas a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, o TRT-17 disse que tomou ciência do caso desta quarta-feira pela imprensa e lamentou o ocorrido. A Corte afirmou que a proposta de reestruturação administrativa foi elaborada em atendimento às medidas recomendadas na ata da correição ordinária da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, realizada em janeiro. A Presidência da Regional entrou em contato com as lideranças da OAB-ES e da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 17ª Região (Amatra-17) "com o objetivo de preservar a relação de respeito mútuo", diz a nota. O Tribunal acrescentou que já vinha adotando as providências administrativas cabíveis em relação ao caso, mas o que o CNJ, "no exercício de sua competência, adotou as medidas que entendeu necessárias".
'Feito animais': CNJ afasta desembargadora por 'deboche e excessos verbais' sobre juízes e OAB
Tribunal lamenta postura de magistrada e diz que tomará medidas administrativas cabíveis ao caso






