Medida cautelar tem efeito imediato e pode durar até 360 dias; influenciadora está presa desde maio sob acusação de lavagem de dinheiro e ligação financeira com integrantes do PCC 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deolane Bezerra chegando à sede da Polícia Civíl — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 09:04 OAB-SP suspende Deolane Bezerra por suposta ligação com PCC e lavagem de dinheiro A OAB-SP suspendeu a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa desde maio por suposta lavagem de dinheiro e ligação com o PCC. A medida, válida por até 360 dias, impede seu exercício na advocacia. Deolane é acusada de receber mais de R$ 1 milhão em depósitos suspeitos via empresa ligada ao PCC. A defesa nega as acusações e afirma a licitude dos rendimentos da cliente. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) determinou a suspensão cautelar da advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos, presa desde maio deste ano no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida tem efeito imediato e impede o exercício da advocacia por Deolane enquanto tramita o processo disciplinar aberto pela entidade. Segundo a OAB-SP, a suspensão foi aplicada pelo Tribunal de Ética e Disciplina da seccional paulista. Conforme prevê o Estatuto da Advocacia, a medida cautelar pode vigorar inicialmente por 90 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas até o limite de 360 dias. Nesse período, deverá ocorrer o julgamento definitivo do caso. Deolane foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação, ela teria recebido recursos provenientes da transportadora Lado a Lado Transportes, apontada pela polícia como uma empresa utilizada pela cúpula do PCC para movimentar e ocultar patrimônio da facção. Segundo os investigadores, a influenciadora recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados entre 2018 e 2021, em operações consideradas incompatíveis com a renda formal declarada e sem justificativa econômica identificada até o momento. A polícia sustenta que a projeção pública de Deolane e suas atividades empresariais formais teriam servido como uma camada de aparente legalidade para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. Além de Deolane, também foram denunciados Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC; seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; os sobrinhos Leonardo Herbas Camacho e Paloma Sanches Camacho; e Everton de Souza, conhecido como "Player", apontado como operador financeiro da organização criminosa. A investigação teve origem na apreensão, em 2019, de manuscritos e bilhetes atribuídos ao PCC dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. A partir da análise desse material, investigadores identificaram uma rede de empresas e operadores financeiros supostamente responsáveis por movimentar recursos da facção, o que levou às operações policiais que culminaram na prisão dos denunciados. Em nota, a OAB-SP afirmou que apura todas as infrações ético-disciplinares que chegam ao seu conhecimento, seja por representação formal ou por fatos amplamente divulgados. A entidade ressaltou que os processos disciplinares tramitam sob sigilo, conforme determina o artigo 72, parágrafo 2º, da Lei nº 8.906/94. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já negou um pedido de liberdade apresentado pela defesa. Os ministros entenderam que o caso exige análise mais aprofundada e decidiram aguardar o julgamento dos recursos pendentes no Tribunal de Justiça de São Paulo. A defesa de Deolane afirma que o recebimento da denúncia não representa conclusão sobre os fatos investigados e sustenta que a influenciadora é inocente. Segundo os advogados, os rendimentos da cliente possuem origem lícita e regularmente declarada, e ela não possui qualquer vínculo com o crime organizado.