Influenciadora é investigada por receber recursos ligados à cúpula da facção 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A influenciadora Deolane Bezerra chega à sede da Polícia Civil em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo/21/05/2026 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 12:01 Justiça de SP Aceita Denúncia Contra Deolane Bezerra por Lavagem de Dinheiro para PCC A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra por suposta lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação Vérnix revelou que Deolane teria recebido valores ilícitos por meio de uma transportadora ligada à facção. A influenciadora, presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, deve responder à acusação em dez dias. A investigação aponta movimentações financeiras incompatíveis com sua renda, indicando ocultação de recursos. O caso envolve também Marco Herbas Camacho, Marcola, e outros membros da organização. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo contra a influenciadora Deolane Bezerra e Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), em um suposto esquema de lavagem que foi revelado pela operação Vérnix, deflagrada em maio. Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da cúpula da facção. Com a decisão da 3ª Vara de Presidente Venceslau, a influenciadora, atualmente presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, passa a ser ré no processo e terá dez dias para apresentar resposta à acusação. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro baseado na transportadora de cargas, sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como controlada pela cúpula do PCC. A estrutura teria funcionado entre 2018 e 2025. Além de Deolane e Marcola, foram denunciados também Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo "Marcolinha" ou "Gordão"), irmão de Marcola; Everton de Souza; Leonardo Herbas Camacho, sobrinho de Marcola e Paloma Sanches Camacho, sobrinha de Marcola. Segundo o inquérito, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão. Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorria por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação. Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro. A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC. A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora. O Supremo Tribunal de Justiça já havia negado o pedido de liberdade de Deolane Bezerra. Por unanimidade, os ministros entenderam que o caso exige uma análise mais profunda, em razão da "gravidade" da apuração, e por isso é necessário aguardar que o Tribunal de Justiça de São Paulo se manifeste sobre os pedidos da defesa. O colegiado expediu uma recomendação para que a Corte estadual analise o caso com "celeridade". O entendimento do STJ foi o de que a decisão liminar do TJ-SP que manteve Deolane presa tem que ser mantida, vez que a Corte estadual ainda não analisou o mérito dos argumentos lá apresentados pela defesa. O relator do caso na Corte superior, ministro Ribeiro Dantas, afirmou que não há ilegalidade, na decisão do tribunal paulista, que justificaria um "pronunciamento antecipado" do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Quem é quem Deolane Bezerra: Deolane ganhou projeção nacional em 2021, após a morte de MC Kevin, de quem era noiva. Antes da fama, ela atuava como advogada criminalista e, com a repercussão do caso envolvendo MC Kevin, ampliou a atuação como influenciadora digital, participou de programas de TV e passou a ter forte presença no universo das apostas on-line. Ela já havia sido presa em 2024 pela Polícia Civil de Pernambuco durante uma operação contra uma organização investigada por lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Everton de Souza (ou "Player"): É apontado como o operador financeiro da organização criminosa. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, ele aparece dando orientações sobre distribuição de dinheiro e indicando para quais contas os recursos deveriam ser transferidos. Marco Willian Herbas Camacho (vulgo "Marcola" ou "Narigudo"): É apontado como o líder máximo do PCC. Mesmo isolado no sistema penitenciário federal, figura como beneficiário e controlador indireto do esquema de lavagem de dinheiro operado pela transportadora Lado a Lado. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo "Marcolinha" ou "Gordão"): Irmão de Marcola. É apontado como um dos proprietários da transportadora utilizada para lavagem de dinheiro e exercia controle decisório direto mesmo preso. Paloma Sanches Herbas Camacho: Sobrinha de Marcola e filha de Alejandro. Atuava como mensageira da cúpula, repassando ordens financeiras de seu pai para os operadores do esquema após visitas à penitenciária federal. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (vulgo "L"): Sobrinho de Marcola e filho de Alejandro. Identificado como beneficiário direto dos lucros da transportadora e de depósitos em espécie não identificados. Investigação teve início após apreensão de bilhetes manuscritos A prisão de Deolane durante a Operação Vérnix teve origem em uma investigação iniciada há seis anos, após a apreensão de bilhetes e manuscritos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro de um presídio em Presidente Venceslau. Segundo a investigação, o material apreendido em 2019 pela Polícia Penal na Penitenciária II de Presidente Venceslau deu origem a três inquéritos sucessivos que revelaram a estrutura financeira do PCC e levaram à identificação de operadores, familiares de Marco Herbas Camacho, o Marcola, e, posteriormente, da influenciadora. Os manuscritos estavam com dois presos e continham ordens internas da facção, contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos. Durante a análise do material, investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, apontada nos bilhetes como responsável por levantar endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa. A referência levou à abertura de um segundo inquérito, voltado a identificar a mulher citada e entender a ligação entre uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau e a facção. As diligências concluíram que a empresa funcionava como companhia de fachada usada para lavagem de dinheiro do PCC. Em 2021, a Operação Lado a Lado aprofundou as investigações e apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso da transportadora como braço financeiro da facção criminosa. Durante a operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. Segundo a investigação, o aparelho revelou detalhes sobre a lavagem de dinheiro realizada pela empresa Lado a Lado Transportes, também chamada Lopes Lemos Transportes. Os investigadores afirmam que Ciro comprava caminhões, realizava pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e do irmão dele, Alejandro Camacho, além de administrar patrimônio em nome dos dois. A partir da análise do celular surgiu uma nova frente investigativa relacionada a conexões financeiras com Deolane Bezerra. Segundo a polícia, imagens encontradas no aparelho mostram depósitos favorecendo contas de Deolane e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa. A investigação sustenta que valores da transportadora eram destinados a Marcola, Alejandro e familiares por meio de contas ligadas a Everton e à influenciadora.
Justiça de SP aceita denuncia, e Deolane vira ré por suposta lavagem de dinheiro para o PCC
Influenciadora é investigada por receber recursos ligados à cúpula da facção









