Influenciadora foi presa preventivamente por suspeita de lavagem de dinheiro Deolane Bezerra chegando à sede da Polícia Civíl — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/05/2026 - 14:35 Influenciadora Deolane Bezerra é presa por suspeita de lavar dinheiro para o PCC A influenciadora Deolane Bezerra foi presa preventivamente por suspeita de lavar dinheiro para o PCC. Segundo ex-diarista, havia montantes de dinheiro espalhados pela casa de Deolane. A Justiça bloqueou R$ 27 milhões da influenciadora, que nega as acusações. A operação revelou uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, envolvendo membros da família de Marcola e movimentações financeiras suspeitas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A advogada e influenciadora Deolane Bezerra vivia com montantes de dinheiro espalhados por sua casa e de sua família. Foi o que revelou a diarista Denise Bastos, em entrevista ao Jornal da Record. Ex-funcionária da influenciadora, ela compartilhou um vídeo mostrando uma pilha de notas de dinheiro em uma estante na casa de um dos filhos de Deolane. "Tinha (dinheiro) espalhado pela casa. Montantes nas estantes, em cima das escrivaninhas, nos quartos, nas gavetas. A gente por ser empregada, a gente pensa que é teste, que está deixando ali para ver se não vai pegar, se não vai roubar", explicou Bastos ao veículo. A diarista também acusou Deolane de ameaças após ter sido acusada de roubar R$ 80 mil reais. Em suposto áudio de Deolane compartilhado por Bastos, a influenciadora diz: "Vai lá onde você guardou, pega e traz na minha casa. Devolve e segue a sua vida, porque se não, você me aguarde". Segundo relato de Bastos, a influenciadora insistiu que ela tinha pego o dinheiro e chegou a mandar pessoas em sua casa para ameaçá-la. A diarista também acusa ter recebido mensagens de um homem envolvido com o crime organizado. "O dinheiro é oriundo do crime, eles lavam dinheiro para nós. Então, 'nós quer' resolver da melhor maneira. 'Nós não vai' pôr política porque 'nós é' o crime, mas 'nós resolve' do nosso jeito", destaca áudio encaminhado por homem não identificado. Em troca de mensagens, o homem envia para a diarista fotos de câmera de segurança em que ela deixa a casa de Deolane com uma sacola. O sujeito sugere que ali estaria o dinheiro roubado. Bastos nega ter roubado influenciadora e, no momento, está processando Deolane por imputação falsa de crime, calúnia e ameaça. Pedido negado O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), recusou o pedido de liberdade à influenciadora Deolane Bezerra. Em decisão assinada no sábado (23) e publicada neste domingo (24), o magistrado afirmou não ver "manifesta ilegalidade" na prisão preventiva da empresária suspeita de lavagem de dinheiro. Na decisão, Dino não deu seguimento a reclamação, apresentada por uma advogada de Deolane, contra decisão da primeira instância que determinou a prisão preventiva da influenciadora. A defesa defendia medidas como a revogação da prisão, o estabelecimento regime domiciliar ou aplicação de medidas cautelares. Do despacho, o ministra reforça que o STF não deve ser usado como atalho processual, destacando que o órgão não deveria ser o primeiro recurso para uma decisão de primeira instância. "Observo que o ato atacado consiste em decisão proferida em primeiro grau de jurisdição, contra a qual cabível meio adequado de impugnação, observados seus pressupostos de admissibilidade", destaca o texto. "De qualquer maneira, ainda que superado referido óbice, não detecto manifesta ilegalidade ou teratologia hábil à concessão da ordem de habeas corpus de ofício. Ante o exposto, nego seguimento à presente Reclamação", conclui o despacho. Deolane foi presa na quinta-feira (21) por suspeita de lavar dinheiro para o PCC durante a deflagração da operação Vérnix. Segundo a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo, a projeção pública e a estrutura empresarial de Deolane funcionariam como “camadas de aparente legalidade” para ocultar recursos ilícitos. Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro. Além disso, cerca de 50 depósitos em empresas ligadas à influenciadora somaram aproximadamente R$ 716 mil. Os investigadores afirmam não ter encontrado contratos ou prestação de serviços advocatícios que justificassem os valores. A advogada e influenciadora digital teve R$ 27 milhões bloqueados por determinação da Justiça. A defesa de Deolane afirmou em nota que considera “desproporcionais” as medidas adotadas pela Justiça. Advogados disseram reiterar “a mais absoluta inocência” da sua cliente, presa preventivamente, e afirmaram que os fatos serão esclarecidos “em momento oportuno”. Ligação com PCC A prisão da influenciadora expôs, segundo o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, uma sofisticada engrenagem de lavagem de dinheiro ligada ao núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. A operação revelou como uma transportadora do interior paulista teria sido usada para movimentar recursos do tráfico e inseri-los no sistema financeiro formal por meio de empresas, depósitos fracionados e contas de terceiros. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva: contra Deolane; Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola; o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; além de Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo. Marcola e Alejandro já estão presos em penitenciárias federais. Deolane e Everton foram detidos ontem, enquanto Paloma e Leonardo são considerados foragidos. Segundo as investigações, ela está na Espanha e ele, na Bolívia. Ambos tiveram os nomes incluídos na Lista de Difusão Vermelha da Interpol. As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha ordens internas da facção, referências a movimentações financeiras e menções a ataques contra servidores públicos. A partir daí, os investigadores chegaram à empresa Lopes Lemos Transportes, conhecida como Lado a Lado Transportes. Segundo o Ministério Público, a transportadora funcionava como braço financeiro da cúpula do PCC. Em três anos, movimentou mais de R$ 20 milhões e apresentou incompatibilidade de R$ 6,9 milhões entre receitas declaradas e movimentações bancárias, indício considerado típico de lavagem de dinheiro.