Davi Lucca ou Eduardo? Asafe ou João? Ravi ou Miguel? No Chama o Nery desta semana, o colunista do Estadão Pedro Fernando Nery explica como os brasileiros costumam escolher os nomes de seus filhos e o que a economia tem a ver com isso.Os economistas têm, há muito tempo, interesse na escolha de nomes porque isso varia ao longo do tempo e entre diferentes classes sociais. “Já são 20 anos desde que o livro Freakonomics tratou desse tema e mostrava que nomes usados pelos mais ricos num determinado período de tempo acabavam sendo usados pelos mais pobres num período seguinte", diz o colunista.Primeiro nome pode ajudar a prever a trajetória de um indivíduo, seja em desempenho educacional ou mercado de trabalho Foto: Márcio Fernandes/EstadãoPUBLICIDADENery cita um estudo do economista brasileiro Lucas Sccotini. Ele identifica que nomes usados pelos mais ricos são frequentemente nomes de origem portuguesa, menores, sem estrangeirismo, de grafia simples e mais básica. Já nomes usados pelos mais pobres têm muita influência da língua inglesa, com diferentes variações. Um exemplo é o de Miguel entre os mais ricos, como um nome que sempre foi mais ou menos popular; e, entre os mais pobres, variações de Maicon ou Maycon. Ao mesmo tempo, Davi para os mais ricos e David - e variações com ‘y’ - nas classes menos abastadas.“O que chama a atenção no Brasil e em outros países quando a gente olha a economia dos nomes é que frequentemente o primeiro nome pode ajudar a prever a trajetória de um indivíduo, seja em desempenho educacional, seja no mercado de trabalho; porque, de alguma forma, o nome está correlacionado com o status daquela pessoa e o background de renda e educacional que a sua família tem”, explica Nery.Publicidade