Candidato de protesto em eleições passadas, ele será o desafiante em uma votação polêmica envolvendo o líder da extrema direita, uma doação milionária e humores exaltados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cartaz de campanha do Conde Cara de Lixeira, personagem criado por Jonathan David Harvey — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 15:50 Conde Cara de Lixeira desafia Farage e ganha apoio em Clacton O Conde Cara de Lixeira, personagem cômico criado por Jonathan Harvey, desafia Nigel Farage em uma eleição especial no distrito de Clacton, Reino Unido. Conhecido por suas propostas satíricas, como nacionalizar Adele e regular o preço dos sorvetes, o Conde simboliza a crítica ao cenário político. Enquanto Farage enfrenta investigações, pesquisas indicam que 33% dos eleitores preferem o Conde, refletindo a queda de popularidade de Farage. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No começo do mês, Nigel Farage, o polêmico líder do partido Reform UK envolvido em um escândalo milionário, anunciou que renunciaria ao mandato de deputado para forçar uma eleição especial, na qual se candidataria ao mesmo posto, pelo distrito de Clacton. Uma manobra para tentar adiar as investigações e lhe dar algum impulso político. Mas Farage não contava com um folclórico candidato: o espacial Conde Cara de Lixeira (“Count Binface”) também estará nas urnas, com propostas para regular o preço dos sorvetes, construir ao menos uma casa popular e nacionalizar a cantora Adele. — Tal como em Vingadores: Ultimato, existe uma pequena janela de oportunidade na qual eu realmente me torno um membro do Parlamento — disse em entrevista à rádio LBC. — Acho que o povo britânico achará isso hilário, o resto da humanidade também, e ouso dizer, eu também acharia hilário. O Conde Cara de Lixeira se apresenta como um guerreiro intergaláctico de quase seis mil anos de idade, vindo do planeta Sigma IX e que chegou ao nosso planeta com o slogan “Façam a Terra Grande Novamente”. Ele usa uma roupa prateada, com uma capa escura e a distinta lixeira no lugar da cabeça. No começo da semana, na rede BBC, negou o pedido para retirar o adereço, afirmando que a visão seria “absolutamente putrefata”. — Alguém aqui já viu “O Retorno de Jedi”? Ninguém quer saber o que tem embaixo de um Recyclon — disse ao jornalista. Conde Cara de Lixeira — Foto: Reprodução/Redes Sociais Fábulas à parte, o Conde é uma criação do comediante britânico Jonathan Harvey, inspirado em um personagem de uma adaptação de segunda mão da franquia “Star Wars”, “Hyperspace”, que surgiu em um momento de dor pessoal. Harvey contou ao jornal The Times que em 2015 seu irmão Dan, que o criou em uma família marcada pelo alcoolismo do pai, morreu de forma inesperada. Para seguir em frente, decidiu canalizar o sofrimento para uma piada política.Nas eleições gerais de 2017, concorreu contra a então primeira-dama, Theresa May, no distrito de Maidenhead, quando recebeu 249 votos, à época como Lorde Cabeça de Balde. Em 2019, fez a transição para o atual Conde Cara de Lixeira e apresentou sua complexa pauta política. Ela inclui a proibição da venda de armas a regimes repressivos, oferecer internet de banda larga a todos e a nacionalização da cantora Adele. Recentemente, prometeu aprovar uma lei exigindo que representasse o Reino Unido no concurso Eurovision, e defendeu o banimento do som alto no transporte público — quem descumprir a ordem seria condenado a assistir, todos os dias, a versão do musical "Cats" para o cinema. O Conde é parte de um ecossistema à parte no sistema eleitoral britânico, o dos candidatos satíricos que entram em disputas sérias para apresentar pautas próprias — como, no caso de Cara de Lixeira, a nacionalização de todos os trens em miniatura e o tabelamento do preço de sorvetes —, ou para mostrar as próprias contradições políticas do país. Normalmente, eles recebem algumas dezenas ou centenas de votos, com notórias exceções: nas eleições para prefeito de Londres em 2021 e 2024, o Conde recebeu mais de 24 mil votos, e o atual ocupante do cargo, Sadiq Khan, se vangloriou ao dizer que “era a única pessoa na História política britânica a vencer o Cara de Lixeira de forma consecutiva”. No mês passado, ele estava nas cédulas na eleição especial de Makerfield, na qual o trabalhista e potencial novo primeiro-ministro Andy Burnham saiu vencedor. O Conde terminou em 7º lugar, com 95 votos. Mas a decisão de sair como o único desafiante em Clacton pode criar um dos fatos mais peculiares no país em décadas. Líder do Reform UK, de extrema direita — que avançou em recentes eleições —, Nigel Farage entrou na mira pública depois da descoberta de que havia omitido pagamentos recebidos de um empresário envolvido com a Justiça americana e, mais recentemente, um “presente” de £ 5 milhões de um de seus apoiadores. Ele está sob investigação de um órgão de fiscalização do Legislativo, mas disse recentemente que “o sucesso financeiro “em si não deve ser visto como um crime”. Na segunda-feira, Farage anunciou a renúncia à sua cadeira no Parlamento, forçando uma nova votação em Clacton, prevista para agosto. Até lá, a investigação estará suspensa. Mas para o político, que foi uma das principais vozes a favor do Brexit, também é uma tentativa de mudar a agenda negativa enfrentada nas últimas semanas. — Decidi que os moradores de Clacton devem ser os juízes das minhas ações — disse na terça-feira. — Vou lutar para vencer. Vou lutar para dar continuidade à revolução política que o Reform iniciou. Os demais partidos britânicos disseram que não participarão da disputa, chamada de “manobra desesperada” pelo premier demissionário Keir Starmer. Com isso, coube ao Conde entrar na disputa, mesmo admitindo que jamais foi a Clacton, e que não pretende fazer campanha de porta em porta, citando a “maldita onda de calor”. Se for eleito, diz que cumprirá o mandato, mas sem retirar a lixeira. Não foram divulgadas pesquisas específicas para o distrito, de viés conservador, mas se esse fosse um voto nacional, Farage estaria em apuros: segundo o instituto Ipsos, 33% dos entrevistados votariam no Conde, 21% em Farage e 32% disseram não saber. — É claro que serão os moradores de Clacton, e não o público em geral, que votarão na próxima eleição suplementar. No entanto, o fato de apenas um em cada cinco britânicos preferir a vitória de Nigel Farage reflete a queda de sua popularidade pessoal no último ano — disse Keiran Pedley, diretor de Pesquisa da Ipsos no Reino Unido — Outros dados da pesquisa mostram um forte apoio à continuidade das investigações sobre padrões parlamentares, mesmo que o Farage vença a eleição, o que sugere que sua vitória prevista não fará com que essas questões desapareçam.