Nigel Farage enfrenta há semanasa cusações de que não declarou adequadamente presentes avaliados em milhões de libras e classificou nova disputa eleitoral como 'guerra contra establishment' O líder do Reform UK, Nigel Farage, faz uma declaração à imprensa na sede do partido em Millbank, no centro de Londres, na terça-feira, 7 de julho de 2026 — Foto: Gareth Fuller via AP Nigel Farage, líder do partido populista Reform UK, afirmou nesta terça-feira que deixará seu mandato parlamentar para disputar novamente sua cadeira na Câmara dos Comuns, no que classificou como uma guerra contra um establishment determinado a desacreditá-lo com acusações sobre suas finanças. Após semanas enfrentando acusações de que não declarou adequadamente presentes avaliados em milhões de libras recebidos de apoiadores ricos, Farage aproveitou um anúncio televisionado para expressar sua indignação com o que descreveu como uma ofensiva coordenada da elite liberal britânica. "Decidi que o povo de Clacton deve julgar minhas ações", afirmou, ao anunciar que renunciará ao mandato apenas para provocar uma nova eleição no distrito do sudeste da Inglaterra onde foi eleito deputado pela primeira vez, em 2024. "Esta será uma eleição suplementar entre o povo e o establishment", prosseguiu. "É uma oportunidade de mandar todo o establishment às favas." Mas sua estratégia arriscada, elogiada por integrantes de seu partido como uma forma inteligente de tentar evitar eventuais sanções decorrentes da investigação conduzida pelo órgão de fiscalização da conduta parlamentar, pode sair pela culatra. Os principais partidos britânicos afirmaram que a decisão mostra Farage sucumbindo à pressão do escrutínio público e anunciaram que o Partido Trabalhista, atualmente no governo, os Conservadores e outras legendas não lançarão candidato na eleição suplementar em Clacton. O primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, classificou a iniciativa como "uma manobra desesperada", enquanto um porta-voz de seu provável sucessor, Andy Burnham, disse tratar-se de "um truque para desviar a atenção de acusações graves". "O que vi foi um homem cedendo à pressão", afirmou Kemi Badenoch, líder da principal sigla de oposição, o Partido Conservador, durante um evento promovido pelo Politico. Nas últimas semanas, Farage, de 62 anos, vinha demonstrando crescente irritação diante de perguntas sobre suas finanças pessoais e as de seu partido, que lidera praticamente todas as pesquisas de intenção de voto há mais de um ano. O líder do partido Reform UK, Nigel Farage, deixa a Milbank Tower após anunciar que renunciará ao seu assento no Parlamento e buscará a reeleição em Londres, na terça-feira, 7 de julho de 2026. — Foto: AP/Thomas Krych Ele é investigado pelo órgão responsável por fiscalizar a conduta dos parlamentares por causa de um presente de 5 milhões de libras (US$ 6,7 milhões) recebido de um investidor bilionário do setor de criptomoedas, que, segundo seus críticos, não foi devidamente declarado. O órgão ainda não concluiu a investigação. Farage afirmou também que o mesmo órgão abriu uma segunda investigação sobre doações separadas feitas por um ex-assessor, condenado anteriormente nos EUA por fraude eletrônica. O líder do Reform UK nega qualquer irregularidade em suas finanças, mas, depois de realizar entrevistas coletivas quase semanalmente, reduziu suas aparições públicas nas últimas semanas e, nos últimos dias, passou a reclamar que jornalistas estariam assediando sua família. Em um discurso no qual, incomumente, chegou a tropeçar em algumas palavras, Farage afirmou que precisou receber recursos adicionais de apoiadores para custear sua segurança pessoal e lembrou que abandonou, décadas atrás, um emprego bem remunerado para defender a causa do Brexit, na qual acreditava. A postura contrastou com suas habituais aparições na imprensa, nas quais o político — frequentemente apontado como um dos principais responsáveis por forçar a realização do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia — costuma atacar adversários com linguagem contundente. Ele afirmou que a "gota d'água" ocorreu quando jornalistas, segundo disse, invadiram a privacidade de sua filha, embora ela jamais tenha participado da política. Farage afirmou que a emissora Sky News entrou em contato com sua família. Em nota, a Sky News declarou: "Fomos até a propriedade uma única vez, sem câmeras, nos identificamos e o morador optou por não conversar." Farage disse que não tolerará intimidações contra sua família. "Então, sim, vocês podem perguntar se estou com raiva. Pois nunca estive tão irritado em toda a minha vida." Ele voltou a afirmar: "Não fiz nada de errado." A decisão é arriscada, mas segue um padrão recorrente da trajetória política de Farage. Ele supostamente havia deixado a política ao renunciar à liderança de um partido anti-União Europeia em 2016, logo após a vitória do Brexit no referendo, mas voltou dois anos depois. Ao apresentar a eleição suplementar como uma disputa entre o povo e o establishment, Farage poderá testar uma estratégia para a eleição geral prevista para 2029, retratando o Partido Trabalhista, atualmente no governo, e os Conservadores como representantes da elite, enquanto ele e o Reform UK assumiriam o papel de azarões, disse uma fonte próxima ao partido, sob condição de anonimato. Mas, diante da possibilidade de não enfrentar nenhum adversário, sua promessa de "lutar para vencer" pode soar vazia.
Líder populista britânico anuncia saída do Parlamento para disputar nova eleição
Nigel Farage enfrenta há semanasa cusações de que não declarou adequadamente presentes avaliados em milhões de libras e classificou nova disputa eleitoral como 'guerra contra establishment'










