Operadora tenta reestruturar passivo parcialmente herdado da Unimed-Rio. Desde o ano passado, por decisão da ANS, carteira é administrada pela Unimed do Brasil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Crise na Unimed Ferj prejudica usuários — Foto: Domingos Peixoto/Agência Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 17:57 Justiça do Rio Suspende Recuperação Extrajudicial da Unimed Ferj A Justiça do Rio suspendeu a recuperação extrajudicial da Unimed Ferj, que busca reestruturar dívidas de R$ 912 milhões herdadas da Unimed-Rio. A decisão, baseada em recurso da Rede Hospital Casa, aponta desrespeito ao prazo legal e questiona a legitimidade da Ferj, cuja carteira é gerida pela Unimed do Brasil. A crise financeira persiste, com atrasos em pagamentos e redução de atendimento. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Justiça do Rio suspendeu o processo de homologação da recuperação extrajudicial da Unimed Ferj. A cooperativa — que assumiu os usuários da Unimed Rio e desde o ano passado compartilha o risco da carteira com a Unimed do Brasil — tenta reestruturar dívidas que somam R$ 912,6 milhões. O tema foi suspenso numa liminar concedida pela desembargadora Cristina Feijó a partir de um recurso da Rede Hospital Casa, um dos principais credores da Ferj. Como antecipou o colunista Lauro Jardim, a magistrada afirmou na decisão que a Unimed Ferj desrespeitou o prazo máximo de 90 dias previsto em lei para obter a aprovação de 50% dos credores ao plano de recuperação, além da ausência de atividade de plano de saúde por parte da empresa, uma vez que sua carteira está sendo gerida pela Unimed do Brasil, o que retiraria legitimidade para requerer a recuperação extrajudicial. O pedido de processamento do pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial da Unimed Ferj foi aceito pela Justiça no início de junho. A decisão do juiz Marcelo Mondego, da 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) não significa que o plano foi homologado, mas que ele atendia aos requisitos iniciais para tramitar. No processo, a operadora alega "grave desequilíbrio econômico-financeiro decorrente da da absorção da carteira de beneficiários da Unimed-Rio, em contexto de colapso regulatório da operadora de origem". A decisão de primeira instância suspendeu por 120 dias que a Ferj sofresse ações e execuções de credores sujeitos ao plano de reestruturação. No ano passado, a Ferj contratou a Câmara de Medição e Arbitragem da FGV para a organização e negociação dos débitos, no que o presidente chama de uma “pré-recuperação extrajudicial”. A lista envolvia 50 credores, com Oncoclínicas, laboratórios Dasa e Rede Casa liderando com os maiores valores a receber. Relembre a crise A Unimed Ferj assumiu a gestão da carteira da Unimed-Rio em 2024, após mais de uma década de crise financeira. Antes, a Ferj não atuava como ooperadora, mas apenas como entidade representativa das Unimeds fluminenses. O quadro, porém, não melhorou com a migração. De lá para cá, os problemas se acumularam. Médicos cooperados relataram atrasos nos pagamentos e passaram a recusar atendimento aos usuários. Além disso, a operadora também acumulou dívidas com hospitais. Em meio à crise, usuários viram a rede credenciada reduzir, com a suspensão do atendimento em unidades como as da Rede D'Or e da Rede Américas. A saída encontrada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi que a carteira de usuários fosse assumida pela Unimed do Brasil, gestora da marca Unimed em nível nacional. Com o arranjo, a Unimed do Brasil assumiu o atendimento assistencial, e passou a receber 90% da receita das mensalidades para pagar prestadores (como hospitais, laboratórios e médicos) e reembolsos. Em dezembro de 2025, a operadora informou que firmou acordo com redes hospitalares e de laboratórios para "normalizar e expandir o atendimento" aos usuários. Os 10% restantes do faturamento da operação ficam com a Ferj. Com esses recursos, a operadora precisa quitar dívidas e despesas administrativas.