A Justiça francesa fez um bem-bolado para permitir que a estrela da ultradireita nacionalista Marine Le Pen seja candidata presidencial nas próximas eleições, marcadas para abril de 2027, apesar de ela ter sido declarada inelegível anteriormente em primeira instância. A decisão tomada pela Corte de Apelações, em Paris, na terça-feira 7, não isenta Le Pen de culpa por ter desviado para seu partido político, o Reunião Nacional, parte da verba de gabinete que deveria ter sido usada exclusivamente para financiar ações do mandato como eurodeputada, entre 2004 e 2017. Ainda assim, embora a condenação tenha sido confirmada em segunda instância, ela teve restituído o direito de concorrer à Presidência, pois, para os juízes, deve prevalecer “a liberdade de escolha do eleitor”.

Argumento semelhante tem sido usado em outros contextos, por outros líderes da nova ultradireita que defendem a ideia de que a lei é um detalhe quando comparada ao desejo da maioria. No Brasil, Bolsonaro disse, em fevereiro de 2025, que “cabe ao eleitor decidir em quem votar, não à Justiça Eleitoral”. Outro líder desse setor radical que usa a mesma lógica é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para quem “o processo democrático deve priorizar a vontade dos eleitores, não a dos juízes”. Ambos os líderes se referiam a situações vividas por si mesmos. Os dois enfrentaram processos políticos e judiciais por atentarem contra a democracia e contra o sistema eleitoral de seus próprios países.