Líder da extrema direita francesa, no entanto, deverá usar tornozeleira eletrônica por um ano, o que tornaria campanha política ao Palácio do Eliseu logisticamente difícil A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, chega ao tribunal para o veredicto de seu julgamento de apelação, em Paris, França, na terça-feira, 7 de julho de 2026 — Foto: AP/Michel Euler Um tribunal de apelação da França confirmou nesta terça-feira a condenação de Marine Le Pen por uso indevido de recursos da União Europeia, mas reduziu sua inelegibilidade, em tese preservando um caminho para que a líder da extrema direita dispute a eleição presidencial de 2027. No entanto, o tribunal também condenou Le Pen a três anos de prisão: dois com pena suspensa e um a ser cumprido com tornozeleira eletrônica. Isso tornaria uma campanha presidencial política e logisticamente difícil e lança dúvidas sobre se ela de fato continuará tentando chegar ao cargo mais alto da França. Le Pen já havia dito que relutaria em fazer uma campanha presidencial enquanto cumpre pena sob monitoramento eletrônico, argumentando que isso interferiria na campanha e enfraqueceria sua posição como candidata. Mas ela ainda não confirmou o que fará. Ela deve conceder uma entrevista em horário nobre à TF1 às 20h (15h no horário de Brasília), na qual poderá fazer um anúncio sobre seu futuro político. A decisão de apelação desta terça-feira, segundo a qual Le Pen fica inelegível para cargos públicos por 45 meses, dos quais 30 foram suspensos, significa que ela estará apta a concorrer quando os eleitores forem às urnas em abril de 2027, porque já cumpriu a maior parte da proibição de 15 meses, em vigor desde a decisão do ano passado. Mas sua nova pena de prisão, a ser cumprida com tornozeleira eletrônica, pode se mostrar quase tão prejudicial quanto uma inelegibilidade. A decisão, além disso, deve provocar intenso debate dentro de seu partido anti-imigração, o Reunião Nacional (RN), que passou meses se preparando para dois cenários possíveis: um liderado por Le Pen e outro pelo presidente do partido, Jordan Bardella. A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, e Jordan Bardella , presidente do partido político francês de extrema-direita Rassemblement National (Reagrupamento Nacional - RN), reagem após discursarem em uma feira rural com apoiadores em Lièvin, no norte da França, em 4 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Tom Nicholson/Foto de Arquivo Bardella, de 30 anos, afirmou repetidamente que se prepara para ser primeiro-ministro de Le Pen, e não seu substituto. Ainda assim, a possibilidade de Le Pen decidir, no fim das contas, não concorrer pode impulsioná-lo para a disputa. Pesquisas têm mostrado de forma consistente que ambos são fortes candidatos a chegar ao segundo turno da eleição presidencial. Alguns levantamentos recentes chegaram a sugerir que Bardella teria desempenho superior ao de Le Pen no primeiro turno. A condenação de Le Pen decorre de acusações de que integrantes do Reunião Nacional usaram indevidamente recursos do Parlamento Europeu destinados a assistentes parlamentares, pagando, em vez disso, funcionários do partido na França. Em 2025, os juízes concluíram que Le Pen teve papel central no esquema, conclusão que ela contesta de forma consistente. O veredicto original provocou críticas de aliados de Le Pen na França e no exterior, que acusaram o Judiciário de interferir na disputa democrática. Seus adversários argumentaram que autoridades eleitas devem ser submetidas aos mesmos padrões legais que qualquer outro cidadão.