Pretensões presidenciais da líder da extrema direita francesa estavam em suspenso desde março de 2025, quando ela foi condenada à inelegibilidade por cinco anos A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen , deputada pelo partido Reunião Nacional (RN), deixa a sede do partido após uma reunião partidária, na sequência do veredicto do seu recurso, juntamente com o próprio partido RN e outros 10 réus considerados culpados de desvio de fundos do Parlamento Europeu, em Paris, França, 7 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stephane Mahe A líder da extrema direita francesa Marine Le Pen anunciou nesta terça-feira que disputará a eleição presidencial de 2027, após um tribunal de apelação reduzir seu período de inelegibilidade. As pretensões presidenciais de Le Pen estavam em suspenso desde março de 2025, quando ela foi condenada à inelegibilidade por cinco anos por usar recursos do Parlamento Europeu para pagar salários de funcionários de seu partido anti-imigração, o Reunião Nacional (RN), na França. Nesta terça-feira, o Tribunal de Apelação de Paris confirmou a condenação de Le Pen por uso indevido de recursos do Parlamento Europeu, mas reduziu de 60 para 45 meses o seu período de inelegibilidade, sendo 30 meses com pena suspensa. Como a sanção está em vigor desde a decisão do ano passado, os 15 meses efetivos de inelegibilidade já foram cumpridos, o que abriu caminho para que a política de 57 anos dispute a eleição do próximo ano. O tribunal afirmou que, embora tenha confirmado a culpa de Le Pen, também levou em consideração "a liberdade de escolha do eleitor, condição prévia para a expressão do sufrágio democrático". A corte também reduziu sua pena de prisão para dois anos com pena suspensa e um ano, em vez de dois, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O RN lidera as pesquisas de intenção de voto para a eleição de abril do próximo ano. Le Pen, que fracassou em três tentativas de levar a extrema direita ao Palácio do Eliseu ao longo de seus 15 anos à frente do partido, aposta que os eleitores deixarão em segundo plano a condenação. A líder da extrema direita, Marine Le Pen, deixa o tribunal após o veredicto de seu julgamento de apelação, em Paris, França, terça-feira, 7 de julho de 2026 — Foto: AP/Aurelien Morissard "Esta noite, sou candidata à eleição presidencial", afirmou ela em entrevista à emissora TF1, em horário nobre, poucas horas após a decisão judicial. Nos últimos meses, Le Pen havia dito que não concorreria à Presidência caso o tribunal determinasse que cumprisse pena sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, por considerar que isso prejudicaria sua campanha e sua credibilidade. Seu partido já havia começado a se preparar para a possibilidade de que seu protegido, Jordan Bardella, de 30 anos, fosse o candidato do RN em seu lugar. Le Pen disse à TF1 nesta terça-feira que recorrerá da decisão ao Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial da França, e que, até que essa corte julgue o recurso, não precisará usar tornozeleira eletrônica durante a campanha, embora o tribunal de apelação tenha determinado que ela cumpra um ano de monitoramento eletrônico. O RN tornou-se o maior partido individual da Assembleia Nacional, embora o Parlamento francês permaneça dividido entre três grandes blocos: a extrema direita, a esquerda radical e o centro. A líder do Partido Verde, Marine Tondelier, afirmou que, "em um mundo normal, no qual o RN tivesse o mínimo de moralidade, [Le Pen] desistiria (...) porque não é aceitável disputar uma eleição após ser condenada por desvio de recursos públicos". A condenação de Le Pen decorre de acusações de que integrantes do RN usaram indevidamente recursos destinados a assistentes parlamentares do Parlamento Europeu. Em 2025, os juízes concluíram que ela desempenhou papel central no esquema, conclusão que Le Pen contestou. A decisão desta terça-feira confirmou sua culpa por desvio de recursos públicos.