Chefe do Ministério Público afirma que investigação expõe a infiltração de organizações criminosas em órgãos públicos; seis pessoas foram presas, entre elas o presidente do IRM 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira (ao centro) na entrevista sobre a operação contra fraude no Instituto Rio Metróples — Foto: João Vitor Costa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 13:16 Operação revela "antros de corrupção" e prisões no Rio Metrópole Após operação no Instituto Rio Metrópole, o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, afirmou que "antros de corrupção" tomaram conta de estruturas do Estado. Seis pessoas foram presas, incluindo o presidente do instituto, por envolvimento em esquemas de desvio de verbas. A investigação expôs a infiltração de organizações criminosas em órgãos públicos, ressaltando a cooptação de estruturas estatais para benefícios pessoais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, o esquema envolvendo contratos do Instituto Rio Metrópole (IRM) — autarquia vinculada ao governo estadual do Rio — é um retrato dos “antros de corrupção” criados dentro das estruturas do governo do estado. Numa operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) nesta quinta-feira, seis pessoas foram presas, incluindo o presidente da instituição, Davi Perini Vermelho, o Didê. Moreira destacou que o Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra) — força-tarefa entre os governos federal e estadual — detectou movimentações financeiras atípicas. Em seguida, Caroline Soares Barros, diretora-presidente do Instituto Bio e fiscal do IRM, foi presa pela Polícia Civil em Teresópolis quando sacava R$ 500 mil em espécie, com direito a escolta armada. A polícia, então, acionou o Ministério Público. Polícia Civil e Ministério Pública realizam opoeração de combate aos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações e lavagem de dinheiro em um esquema de desvio de recursos públicos do Instituto Rio Metrópole (IRM). Na foto, Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do Instituto Rio Metrópole, após ser preso — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo — Já havia essa prisão em flagrante e essa movimentação atípica quando nos foi encaminhada essa documentação, que revela algo que lamentavelmente está se tornando muito claro. Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso estado passa há décadas: inúmeras estruturas do Estado, órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão, foram cooptados por delinquentes e marginais — declarou o procurador. — (Criminosos) Transformando essas estrututras do Estado em antros de corrupção. Cooptando estruturas estatais para o desvio de verbas públicas, sempre em benefício pessoal, próprio, de organizações criminosas que se infiltraram no estado. Polícia Civil e Ministério Pública realizam opoeração de combate aos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações e lavagem de dinheiro em um esquema de desvio de recursos públicos do Instituto Rio Metrópole (IRM) — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo O esquema funcionava da seguinte forma: o IRM contratou duas empresas que, por sua vez, contrataram o Instituto Bio para prestar consultoria. Nas redes sociais, o Instituto Bio é apresentado como escola de BioCulinária que atua na formação de biochefs — o que causou “perplexidade” nos integrantes do MPRJ. — Essa investigação é uma constante descoberta de fatos novos. A primeira foi a apresentação do instituto em si, que a maioria da população desconhecia a sua existência; em segundo, tentar definir o objeto de atuação, que até agora não conseguimos determinar; em terceiro, conseguir concatenar o motivo pelo qual determinados contratos foram realizados — observa Delcio Alonso, coordenador do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ), que cita o Instituto Bio. — Não faz sentido, e a perplexidade é de todos, que um instituto de desenvolvimento metropolitano tenha contrato com uma ONG desse tipo, os objetos não casam. O que chama ainda mais a atenção para a necessidade de revisão desses contratos. Foi um descortinar constante de surpresas para a gente. Cedae quer suspender acordo que pode causar R$ 25 bilhões de prejuízo para a empresa até 2050 Na apresentação da ONG no Facebook, a descrição acrescenta que o instituto fomenta a "transição agroecológica ao alimento puro, orgânico, saudável, compassivo, local, sazonal, além do fortalecimento da economia solidária e do comércio justo". Já o site da ONG afirma que o "Instituto BIO nasceu em 2010 de um sonho da advogada e BioChef Carol Barros, a Karuka, que, aos dez anos, já sabia que ética e altruísmo estariam no coração de suas ações e que o alimento seria o motor propulsor desse propósito". Integração entre Estado e MPRJ Antônio José Campos Moreira — que reconheceu a necessidade de se "fazer uma faxina" em algumas estruturas do Estado — também destacou a integração entre o Ministério Público e o governo do estado durante a gestão interina do desembargador Ricardo Couto. Em nota, o Governo do Estado destacou que constatou "indícios de irregularidades nos contratos" do IRM, "por meio de uma auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI)". O procurador-geral pontuou que a investigação do MPRJ já havia começado antes de o Poder Executivo fluminense encaminhar documentação referente ao IRM. O Palácio Guanabara, por sua vez, destaca que assim "que os relatórios foram concluídos, o Governo do Estado encaminhou formalmente o material ao Ministério Público", que "aprofundou a apuração, reuniu as provas necessárias e solicitou as medidas judiciais cumpridas nesta quinta-feira". Também participaram da coletiva o secretario estadual à frente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Roberto Leão; o delegado André Timoni, representante do Cifra; Alexandre Capote, corregedor-geral de Polícia Civil do Rio; Roberta Jorio, promotora de Justiça do Gaesf/MPRJ; e o subprocurador de Justiça de Atuação Especializada, Cláudio Varela. — Hoje é um start para a gente ter noção do que virá para a frente. Isso (auditoria) está acontecendo em todos os órgãos do Poder Executivo. Não que a gente esteja encontrando essas irregularidades em todos os órgãos, mas todos os órgãos, por determinação do governador, estão sendo auditados — observou Roberto Leão, que pontuou que indícios de irregularidades encontrados na administração fluminense estão sendo encaminhados "de forma sistemática" ao MPRJ. Mais de 4 mil exonerações já foram feitas durante o governo Couto, que assumiu o governo após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que pretendia concorrer ao Senado. O vice, Thiago Pampolha, também não podia assumir o Executivo porque havia assumido uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. O outro integrante da linha de sucessão era Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj que na ocasião estava afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
'Antros de corrupção' tomaram estruturas do Estado, diz procurador, após operação no Instituto Rio Metrópole
Chefe do Ministério Público afirma que investigação expõe a infiltração de organizações criminosas em órgãos públicos; seis pessoas foram presas, entre elas o presidente do IRM









