Segundo as investigações, que começaram com uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto, a autarquia celebrou contratos ilegais de R$ 86 milhões. Parte desse dinheiro foi sacado por uma ex-fiscal do IRM, conhecida como a “Mulher da Mala” — que tinha até escolta para ir ao banco. Até a última atualização desta reportagem, 5 pessoas haviam sido presas — entre elas, Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do IRM, e Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”. Mauricio Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), já é considerado foragido. Promotores saíram para cumprir, no total, 6 mandados de prisão e 9 de busca e apreensão. O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ) denunciou 11 pessoas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude de licitação e lavagem de dinheiro. Alvos Amanda Íthala Santos da Paschoa, presa: nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM, depois da saída de Caroline;Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”, presa: ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa subcontratada da autarquia;Davi Perini Vermelho, o Didê, preso: presidente do IRM;Franquis Dias Nepomuceno, preso: delegado e diretor do IRM, apontado como dono da empresa de vigilância Rioforte;Marcelo Lopes da Silva, preso: procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM;Mauricio Silva Knoploch dos Santos, foragido: pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) e diretor de Planejamento e Projetos do IRM. A TV Globo tenta contato com a defesa dos denunciados. Em nota, o governo do estado afirmou que a operação desta quarta-feira foi resultado de uma auditoria que identificou “indícios de irregularidades em contratos e deu origem às investigações”. “O relatório produzido pela auditoria foi encaminhado ao Ministério Público, que aprofundou a apuração e deflagrou a operação”, prosseguiu. “A atuação reforça o compromisso do governo do estado com a transparência, o controle dos recursos públicos e o combate à corrupção.” Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do Instituto Rio Metrópole — Foto: Reprodução/TV Globo Entenda o esquema O Instituto Rio Metrópole foi criado em 2018 a fim de articular e monitorar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio. A autarquia é vinculada à Secretaria Estadual de Governo. De acordo com as investigações, em licitações fraudulentas e direcionadas a partir de 2022, o IRM contratou a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria. Em seguida, a Engeconsult e a R Peotta celebraram subcontratos fictícios com a Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio, para depositar parte dos valores recebidos do IRM. Esse dinheiro era posteriormente sacado da conta do Instituto Bio, sob a escolta da Rioforte. Outra ponta do esquema eram os aditivos feitos nos contratos. Só em 2023, a Engeconsult recebeu um acréscimo de R$ 58 milhões.