Dois dos mais importantes projetos de mineração que pretendem reduzir a dependência brasileira dos fertilizantes importados esbarram, há anos, em questões sobre o impacto a povos indígenas, sem uma conclusão acerca de sua viabilidade ou não.

De um lado está o Projeto Potássio Autazes, no Amazonas, que é considerado a principal aposta do país para produzir potássio em larga escala. De outro, o Projeto Santa Quitéria, no Ceará, que pretende produzir fertilizantes fosfatados e concentrados de urânio, dois elementos encontrados juntos na região.

Ambos são citados regularmente pelo governo federal como o topo das prioridades do PNF (Plano Nacional de Fertilizantes), lançado em 2022. E, embora estejam voltados à exploração de minerais diferentes, ambos enfrentam discussões sobre o impacto a povos indígenas, consulta prévia prevista na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e atendimento a exigências de órgãos como a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e o MPI (Ministério dos Povos Indígenas).

Hoje, o Brasil importa a maior parte desses insumos usados na agricultura. No caso do potássio, utilizado em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, a dependência externa supera 90%. O fosfatado conta com alguma produção nacional, mas o fato é que o país segue dependente de 70% de importações desse insumo e sofre com a oferta concentrada em poucas empresas.