Os recentes cancelamentos de leilões de títulos públicos reacenderam o debate sobre uma eventual atuação do Tesouro Nacional nesse mercado.
A recompra de papéis já emitidos costuma ser cogitada quando há falta de liquidez, ou seja, quando é difícil negociar grandes volumes de títulos sem causar movimentos expressivos de preços. A questão é se os juros altos exigidos pelos investidores refletem um problema temporário de liquidez ou uma condição estruturalmente menos favorável para o financiamento da dívida pública.Essa distinção é essencial. Juros elevados não significam necessariamente que o mercado esteja disfuncional. Eles podem refletir uma maior percepção de risco fiscal, inflacionário ou macroeconômico. Nesse caso, recomprar papéis não resolveria o problema, porque a causa está na avaliação de risco embutida nos preços.
Além do risco de liquidez, a literatura sobre gestão da dívida distingue outros dois riscos. O primeiro é o risco de refinanciamento, associado à possibilidade de renovar a dívida em condições adversas, seja por aumento expressivo do custo, seja, em situações extremas, por insuficiência de demanda. O segundo é o risco de solvência, ligado à capacidade do Estado de honrar suas obrigações.











