"O Brasil é um estado soberano e a soberania se exerce com firmeza e serenidade. E nós temos certeza de que isto há de prevalecer, quer aqui na região, quer no concerto global das nações", afirmou o magistrado depois de ser questionado sobre o temor de uma possível invasão norte-americana. A declaração ocorreu antes de cerimônia que marcou a criação de três varas especializadas em lavagem de dinheiro e combate ao crime organizado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Ministro do STF Edson Fachin — Foto: Rosinei Coutinho/STF Questionado sobre a influência do crime organizado nas eleições deste ano, Fachin classificou a violência política como uma preocupação relevante da Justiça Eleitoral e afirmou que o sistema está preparado para enfrentar tentativas de infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral. Segundo ele, o Tribunal Superior Eleitoral já adotou medidas na gestão da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, que estão tendo continuidade sob a condução do ministro Kassio Nunes Marques. Fachin disse que "todo o sistema de Justiça vai estar atento para que o crime organizado não se infiltre no procedimento eleitoral" e para garantir que o voto seja exercido de forma livre. "Uma eleição há de ser sempre realizada com tranquilidade, sem violência e cooptação eleitoral, sem extorsão do consentimento eleitoral", declarou. Entenda o que pode mudar na prática a partir da classificação do PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA Ao comentar a inauguração das novas varas especializadas no TJ-SP, o presidente do STF disse que a iniciativa não é uma reação às recentes medidas adotadas pelos Estados Unidos contra integrantes e suspeitos de ligação com facções brasileiras, mas resultado de um planejamento de longo prazo. "Esse conjunto de atitudes já estava sendo pensado e planejado há muito tempo. Não se instalam três varas de combate ao crime organizado num período curto", afirmou. Fachin lembrou que acompanha o tema da macrocriminalidade há anos, citando julgamentos relacionados à segurança pública, o reconhecimento do estado de coisas inconstitucional no sistema penitenciário e a implementação do programa Pena Justa. Segundo ele, o enfrentamento das organizações criminosas passa também pela melhoria das condições carcerárias, consideradas um dos fatores que contribuíram para o fortalecimento dessas facções.