0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do BC — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 11:41 Conflito no Oriente Médio pode impactar economia do Brasil em três frentes A recente escalada do conflito no Oriente Médio, com o anúncio do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, traz riscos à economia brasileira. Segundo Sérgio Goldenstein, três canais são afetados: combustíveis, que podem ter preços pressionados; fiscal e parafiscal, com impacto nas receitas e subsídios; e política monetária, dificultando cortes na Selic. O cenário depende da duração do choque no petróleo e das reações cambiais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A combinação de petróleo mais baixo, menor tensão geopolítica e possibilidade de retirada gradual dos subsídios reduzia a pressão esperada sobre combustíveis, inflação e até sobre a curva de juros no Brasil nas últimas. O anúncio do fim do cessar-fogo com o Irã feito por Donald Trump e a nova escalada no Oriente Médio não necessariamente revertem esse cenário, diz Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do BC. Mas representam riscos a serem monitorados, avalia. - A alta de hoje do petróleo não deve ser lida como uma mudança automática de cenário, mas como uma deterioração do balanço de riscos. Para o Brasil, o efeito líquido dependerá de três variáveis: quanto tempo o petróleo ficará pressionado, como o câmbio reagirá e qual será a decisão do governo sobre a retirada dos subsídios. Se a tensão se dissipar rapidamente, o impacto será limitado. Se houver nova rodada de escalada ou risco mais concreto sobre Ormuz, o quadro passa a ser mais inflacionário, mais difícil para a condução da política fiscal/parafiscal e menos benigno para a curva de juros - explica o economista. A pedido do blog o economista destrinchou os três principais canais de transmissão dessa ameaça de nova escala no conflito entre Estados Unidos e Irã. Confira: Combustíveis Se o petróleo voltar a se estabilizar em patamar mais alto, aumenta a pressão sobre preços domésticos, seja via Petrobras, seja via importadores e distribuição. Isso torna mais delicada a retirada dos subsídios. Fiscal e parafiscal É verdade que a alta do petróleo pode gerar alguma compensação pelo lado das receitas, via royalties, participações especiais, arrecadação associada ao setor e, eventualmente, dividendos de Petrobras. Mas essa compensação não é automática: parte dessas receitas tem destinação própria ou é repartida entre União, estados e municípios, enquanto o custo de suavizar preços pode aparecer por outros canais, como subsídios, desonerações, menor resultado da Petrobras ou mecanismos parafiscais. Portanto, o petróleo mais alto pode melhorar algumas receitas, mas ainda assim tornar mais difícil a escolha entre suavizar a inflação corrente e preservar a qualidade da política fiscal. FMI eleva previsão de crescimento do Brasil para 2026 e vê desaceleração global: Economia do país deve crescer 2,4% este ano, segundo relatório Política monetária O Banco Central já vem operando em um ambiente de expectativas acima da meta, inflação corrente pressionada e atividade ainda resiliente. Um novo choque de petróleo, se persistente, reduz o espaço para uma continuidade mais confortável do ciclo de queda da Selic. Não acho que uma alta isolada do Brent para uma faixa entre US$ 75 e US$ 80 mude sozinha a função de reação do Copom, mas ela reforça a necessidade de cautela.