No Brasil, os riscos são maiores, mas há sinais de que a superação do efeito da guerra poderá surpreender positivamente RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 19:25 Economia Global Cresce 3% Apesar de Riscos e Guerra no Oriente Médio Apesar dos riscos elevados no Brasil, a economia global demonstra adaptação frente à guerra no Oriente Médio, com comércio global crescendo 3% e estabilidade nos preços do petróleo. Preços de fertilizantes, importantes para o Brasil, também se estabilizam. A inflação, embora alta, mostra sinais de desaceleração, com expectativas de deflação e controle nos repasses de custos. A superação do impacto da guerra pode trazer surpresas positivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A guerra no Oriente Médio continua e o Estreito de Ormuz permanece praticamente bloqueado. Mesmo assim, a economia global já vem demonstrando capacidade de adaptação, ainda que com custos mais elevados pela alta no preço das commodities e nas tarifas logísticas. O comércio mundial não encolheu. O recuo de 1,3% no seu volume em março ante a média de janeiro e fevereiro precisa ser relativizado, pois foram meses atípicos por conta de acumulação de estoques pela China e outros países asiáticos, supostamente em preparação ao conflito. Na comparação anual, o comércio global cresceu 3% em volume. Dados mais recentes apontam aumento de 19% no comércio da China em abril (soma de exportações e importações em dólar) e de 6% do Brasil em maio. As cotações do petróleo, apesar de voláteis, não têm renovado novos picos. Os sinais são de que o mercado incorporou parte relevante dos riscos aos preços. Fenômeno semelhante é observado em outras commodities — as commodities, como ativos, têm preços que não refletem exatamente as condições efetivas de oferta e demanda física de curto prazo, mas sim as expectativas dos agentes de mercado. No caso de fertilizantes, os preços deram um salto em março e abril, mas acomodaram em maio. Ainda que incipiente, é um sinal benigno. É algo particularmente importante para o Brasil por conta da grande dependência na importação de insumos agrícolas, que representam em torno de 85% do consumo interno. Para os bancos centrais, esses desdobramentos ajudam a aliviar temores de um novo choque inflacionário global. O choque da guerra em si implica aumentos localizados de preços, como de combustíveis, e não exatamente de um processo inflacionário. Em princípio, o aumento da inflação seria transitório (ainda que os preços permaneçam elevados por muito tempo) e não implicaria uma nova dinâmica inflacionária, mais teimosa. Um quadro como este último dependeria de a economia global estar mais aquecida, como estava, por exemplo, no início do conflito Ucrânia-Rússia, no pós-pandemia, o que potencializou a pressão inflacionária naquele momento. Não é o caso agora. Também ajudam os juros mais elevados nos países ricos atualmente, diferentemente do observado naquele período, quando as taxas de juros mundiais estavam excepcionalmente baixas. No Brasil, não parece haver excesso de demanda na economia, apesar dos estímulos fiscais do governo. O primeiro trimestre revelou, de fato, um bom crescimento do PIB, mas contando com fatores transitórios, notadamente os efeitos diretos e indiretos da grande safra. Alguns dados disponíveis de abril indicam um início de segundo trimestre mais modesto. Sobre a elevação das expectativas de inflação, seria precipitado afirmar que ela reflete um abalo na confiança no BC, o que levaria a maiores repasses da pressão de custos a preços finais, como observado no passado, no governo Dilma. Há uma natural elevação das projeções do IPCA de mais curto prazo, refletindo o efeito do choque este ano e sua contaminação para 2027, em um país ainda marcado pela indexação na economia (salário mínimo, aluguéis, salários e contratos sendo corrigidos pela inflação passada). Além disso, existe a possibilidade de ajuste dos preços da gasolina e do diesel pela Petrobras adiante (será após as eleições?), já que estão bastante defasados em relação à paridade mundial. De qualquer forma, a elevação da projeção de 2028, ainda que modesta, é ponto de atenção. Apesar da inflação mais alta, há alguns sinais alvissareiros. A inflação no atacado perdeu força em maio (0,95% ante 3,1% em abril) com a acomodação de preços de commodities e de produtos in natura que sofreram rapidamente o encarecimento de fertilizantes. A expectativa é de deflação em junho. Adicionalmente, não se notam repasses fora do padrão da alta nas matérias-primas para os bens intermediários e finais, como ocorrido no passado. Para o consumidor, são três meses de inflação de alimentos pressionada, mas sem sinais, por ora, de contaminação nos demais preços. Vale citar a grande volatilidade nos preços de passagem de avião, refletindo a reação das companhias aéreas à queda da demanda quando as tarifas subiram fortemente. Os riscos não desapareceram, e no Brasil eles são maiores. Mas há sinais de que a superação do efeito da guerra poderá surpreender positivamente.
Devagar com o pessimismo: economia global se adapta
No Brasil, os riscos são maiores, mas há sinais de que a superação do efeito da guerra poderá surpreender positivamente












