Estimativa é que economia mundial terá expansão de só 2,5% em 2026. Organismo reduz projeção de crescimento brasileiro de 2% para 1,9% este ano Navio da Guarda Revolucionária Iraniana em exercício no Estreito de Ormuz: fechamento de importante canal para escoamento do petróleo fez preços de energia dispararem no mundo inteiro — Foto: SEPAH NEWS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 23:37 Guerra no Oriente Médio afeta economia global, diz Banco Mundial A guerra no Oriente Médio está prejudicando o crescimento econômico global, conforme relatório do Banco Mundial. O bloqueio no Estreito de Ormuz elevou os preços do petróleo, impactando inflação e juros. A previsão de crescimento global caiu para 2,5% este ano, o mais baixo desde 2020. Países em desenvolvimento enfrentam desafios devido ao alto endividamento e crescimento estagnado. A crise também oferece oportunidades para fortalecer políticas públicas e mobilizar investimentos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A guerra no Irã fará com que a economia global tenha o menor crescimento desde a pandemia de Covid, mostra relatório do Banco Mundial (Bird) divulgado nesta quinta-feira. A disparada nos preços de energia pressionou a inflação em diversos países, obrigando os governos a elevarem suas taxas de juros, o que freia o crescimento econômico. O crescimento global está projetado para desacelerar para 2,5% em 2026, ante 2,9% em 2025. É o pior resultado desde 2020, quando a economia global entrou em recessão por causa da pandemia da Covid, com uma retração de 2,9%. Espera-se que o PIB (Produto Interno Bruto) mundial tenha avanço maior em 2027, de 2,8%, mas ainda assim será um ritmo 0,4 ponto percentual abaixo da média registrada durante a década de 2010. Para o Brasil, o Bird projeta uma expansão de só 1,9% do PIB em 2026. No relatório anterior de projeções econômicas do Banco Mundial, divulgado em janeiro, a projeção era de 2%. O crescimento do PIB global nos últimos anos: 2019: 2,7%2020: -2,9%2021: 6,4%2022: 3,4%2023: 2,8%2024: 2,9%2025: 2,9%2026: 2,5%*2027: 2,8%*2028: 2,8%* *Projeções Fachada do Banco Mundial em washington — Foto: Divulgação O Banco Mundial alerta que o crescimento global pode ser ainda maior caso não haja um desfecho em breve para o conflito no Irã. No pior cenário, o crescimento global poderia cair a 1,3% em 2026, com inflação em 4,4%. Por outro lado, ainda que não esteja traçado um caminho para a solução do conflito, o Banco Mundial projeta retomada do crescimento em 2027, com melhora para 2,8%. Ajay Banga, presidente do Banco Mundial — Foto: AFP via Getty Image O relatório diz que a escalada do preço do petróleo, refletindo o gargalo logístico da região que concentra 20% da produção mundial no Estreito de Ormuz, “afetou gravemente os mercados de energia” e também outros mercados, como o de fertilizantes. Esses insumos essenciais para a agricultura devem aumentar de forma significativa neste ano, com efeitos indiretos no preço dos alimentos e na inflação, diz o Banco Mundial. Esse impacto será sentido mais fortemente principalmente na África Subsaariana. “Em conjunto, essas pressões estão elevando a inflação global, que deve atingir 4% este ano — um aumento substancial em relação aos 3,3% de 2025”, registra o comunicado. O Banco Mundial destaca, em comunicado à imprensa sobre o relatório, o “fraco crescimento das economias em desenvolvimento”, o que praticamente paralisou seu avanço em direção ao nível de renda dos países mais avançados. O texto só tira desse grupo China e Índia, que mantêm crescimento acelerado. Os outros, incluindo o Brasil, segundo o relatório do Banco Mundial, terão “vivido coletivamente quase uma década sem progresso na redução da diferença de renda per capita em relação às economias avançadas”. O crescimento econômico mais forte deve permanecer no Sul da Ásia, mas mesmo nesta região haverá desaceleração significativa: de 7% em 2025 para 6,3% em 2026, segundo o relatório. Alto endividamento amplia risco Um dos capítulos do relatório aponta os crescentes níveis de endividamento dos países como um fator que está dificultando a resposta adequada aos efeitos da guerra, o que prejudica o custo do crédito e os investimentos de longo prazo. Desde 2010, diz o Banco Mundial, “a dívida pública agregada das economias em desenvolvimento subiu de menos de 40% do PIB para mais de 70%”. A análise conclui que esse alto endividamento acaba se refletindo no custo dos financiamentos nessas economias. O texto diz que o ajuste das contas públicas pode ajudar países em situação mais vulnerável. “Para países com razões altas entre dívida e PIB, a redução dos níveis de endividamento pode gerar benefícios financeiros significativos: maior espaço fiscal para investir em infraestrutura, saúde e educação, o que impulsionaria o crescimento econômico e a geração de empregos”, diz o Banco Mundial. 'Toda crise traz oportunidade' No comunicado, o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, observa que os países em desenvolvimento enfrentaram uma série de desafios nos últimos dez anos com impactos diferentes, mas têm em comum a mesma dificuldade: “proteger as pessoas e preservar a estabilidade hoje, sem abrir mão do crescimento e dos empregos amanhã”. Ele destacou que o Banco Mundial oferece financiamento adicional e outras alternativas de liquidez aos países que passam por maiores dificuldades financeiras. “O conflito tem afetado a atividade global, mas toda crise também traz uma oportunidade”, reforçou Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Grupo Banco Mundial e diretor do Grupo de Perspectivas, no texto publicado pela instituição. “Este momento deve ser aproveitado para fortalecer os marcos de políticas públicas, investir em infraestrutura, acelerar reformas que facilitem os negócios e mobilizar capital privado para apoiar a geração de empregos em grande escala.”
Com guerra no Irã, PIB global terá pior resultado desde a pandemia, prevê Banco Mundial
Estimativa é que economia mundial terá expansão de só 2,5% em 2026. Organismo reduz projeção de crescimento brasileiro de 2% para 1,9% este ano













