O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, afirmou que a escalada das hostilidades entre os EUA e o Irã pode reacender a inflação, elevar as taxas de juros e fazer com que o crescimento global caia para até 1,3%, ante 2,9% no ano passado.
Gill disse que o banco trabalhou com três cenários em sua previsão econômica de junho, dada a incerteza elevada em torno da guerra no Oriente Médio. Mas o pior cenário possível, com as hostilidades se estendendo por seis meses ou mais, já está prestes a se concretizar, afirmou ele em entrevista na noite de terça-feira (21). Nesse cenário, a inflação global geral chegaria a 4,5%.Conflitos prolongados e danos à infraestrutura petrolífera da região também agravarão a insegurança alimentar ao interromper os embarques de fertilizantes, hélio e enxofre, desencadeando uma cadeia de efeitos secundários que pode incluir taxas de juros mais altas, comentou Gill.
Os comentários dele são os primeiros de uma autoridade de alto escalão do Banco Mundial desde o aumento acentuado das tensões entre Washington e Teerã, no início deste mês, e o colapso do acordo de cessar-fogo de abril, que havia alimentado esperanças de um impacto menos severo do conflito.
A guerra se intensificou nesta semana, com as forças norte-americanas bombardeando alvos no sul e no oeste do Irã, e Teerã atacando instalações dos EUA no Bahrein, no Kuweit e na Jordânia. O tráfego marítimo no estreito de Hormuz continuou interrompido, e os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram um bloqueio naval aos embarques da Arábia Saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho.Gill avaliou que os países pobres que ainda não se recuperaram da pandemia da Covid-19 podem enfrentar maior insegurança alimentar, enquanto nações com altos níveis de endividamento serão afetadas pelo aumento dos custos de financiamento à medida que as taxas de juros sobem, reduzindo os gastos com educação, saúde e outros serviços essenciais.






