A Moët & Chandon lançou, no Brasil, um champanhe considerado uma obra-prima pela marca. A Création Nº 1, base 2013, inaugura a Collection Impériale. Marie-Christine Osselin, head de experiência do vinho e enologia da maison, veio ao Brasil para apresentar o rótulo para clientes e especialistas. Ele é elaborado a partir de um blend de safras consideradas incríveis, envelhecidas por diferentes processos de maturação em barris de carvalho e em garrafas, sobre as leveduras. — É uma verdadeira obra-prima da maison. A ideia por trás deste champanhe era criar uma nova cuvée de prestige e ampliar os limites da arte da assemblage (a mistura dos vinhos). Em Champagne, o blend é a nossa prática diária. Cada champanhe é uma combinação de diferentes variedades de uvas e crus (origens geográficas). Para a Collection Impériale, fomos além, utilizando vinhos com métodos de envelhecimento distintos, uma forma diferente de elevar cada vinho individualmente. É um blend único, composto por vinhos-base (vinhos brancos, alguns amadurecidos em barris de carvalho e outros não) e também por champanhe já elaborado. Ela explica que a produção desse champanhe exigiu um exercício intenso de degustação, seleção e assemblage (blend). O rótulo reúne: a fresca Grand Vintage 2013, envelhecida em tanques de aço; a refinada 2012; a potente 2010; a tensa 2008; a encorpada 2006; a vibrante 2000, amadurecida em barris de carvalho; e a elegante 2004, envelhecida em garrafa sobre as borras após a segunda fermentação. Marie-Christine Osselin explica que a casa produziu um champanhe único, com uma vinificação incomum na região: — Decidimos finalizar um champanhe após 10 anos de maturação sobre as borras e misturá-lo aos outros vinhos. Isso torna este champanhe absolutamente singular, pois não é comum combinar champanhe pronto e vinhos-base para criar algo totalmente novo. Na taça, durante a degustação, percebe-se a combinação de frescor, intensidade e jovialidade da safra 2013, mas também as notas de maturação, os aromas terciários, a profundidade e a complexidade. É uma fusão impressionante de vivacidade e maturidade textural. O envelhecimento em carvalho confere uma textura aveludada aos diferentes vinhos. No fim das contas, trata-se de uma seleção exclusiva de vinhos de safra, pois precisamos de vinhos que possuam carisma e capacidade de longa guarda e bom envelhecimento. Cave da Moët & Chandon: o tempo parece parar — Foto: Divulgação / Moët & Chandon Ele detalha, no entanto, que a ideia não era simplesmente criar um vinho de diferentes safras, mas ir além: — O conceito de multi-vintage (mistura de safras) já existe; não é exatamente uma novidade. A ideia era ir além na arte da assemblage. Como líder e uma grande maison, a Moët & Chandon possui um savoir-faire muito sólido na combinação de variedades de uvas e crus, e o Brut Impérial é o seu maior embaixador. O Brut Impérial é elaborado com uvas de toda a região de Champagne. Apesar de a Moët & Chandon ser proprietária do maior vinhedo da região, com mais de 2.000 parcelas diferentes, essa área atende apenas 20% da demanda da marca: — Trabalhamos com mais de 2.000 famílias de viticultores. Esse amplo acesso aos vinhedos visa a expressar a diversidade do terroir. Assim, embora o Brut Impérial mantenha sempre o mesmo sabor, estilo e perfil gustativo a cada ano, ele nunca é composto pelos mesmos vinhos de base — conta Marie-Christine Osselin. O Brut Impérial é elaborado desde 1869, mas a maison possui conhecimento na seleção de vinhos para champanhes safrados desde 1842. — O desenvolvimento da Collection Impériale levou mais de 20 anos. A ideia surgiu no início dos anos 2000, e foram necessárias duas décadas para aperfeiçoar a combinação de vinhos frescos e definir a proporção ideal. Queremos que todas as camadas se manifestassem no paladar, sem que nenhuma delas se sobressaísse excessivamente em relação às outras. A cada minuto, enquanto o champanhe respira, percebe-se algo novo. Começam-se com notas redutivas e terciárias, passa-se para notas especiadas e adocicadas, depois surgem as notas frutadas. Enfim, cada camada tem o seu momento de se revelar. Nenhuma delas domina as demais; é um champanhe surpreendente, algo inédito em termos de frescor e maturação. O desafio de diferentes safras O Collection Impériale Création Nº 1, da Moët & Chandon — Foto: Divulgação/ Moët & Chandon Marie-Christine diz que esse champanhe reúne as melhores matérias-primas e vinhos de diferentes safras, o que multiplica por sete o trabalho de colheita, vinificação, seleção e armazenamento em reserva para maturação. — Ele representa o auge do savoir-faire da Moët & Chandon, além de incorporar o fator tempo. Para nós, é a expressão perfeita da haute œnologie (alta enologia). Por isso, tratamos como uma cuvée de prestige, posicionando-a no topo da pirâmide do portfólio da Moët & Chandon. Chamamos de alta enologia, assim como existem a alta gastronomia e a alta cultura. Marie-Christine afirma que é possível produzir vinhos de maneiras muito diferentes, mas, para a maison, é necessário ter precisão em todo o processo: — Precisamos compreender perfeitamente a qualidade das uvas, o que acontece no vinhedo e como conduzir a fermentação com perfeição. É fundamental termos nossos próprios métodos. Dominarmos cada etapa dos processos e contarmos com especialistas que sejam verdadeiros apaixonados pelo universo do vinho. Ela acrescenta que toda essa precisão tem um único objetivo: despertar emoções: — Nossos vinhos estão presentes nas melhores mesas do mundo; eles permitem celebrar ocasiões especiais. Ou até mesmo transformar um momento qualquer, ao abrir uma garrafa, em uma celebração da vida e uma oportunidade de compartilhar algo com as pessoas. É essa a ideia de emoção; é essa a nossa paixão. Unimos a expertise e a precisão à paixão e à emoção. Não produzimos nosso champanhe apenas para criar o melhor produto possível; queremos agradar às pessoas, proporcionar-lhes bons momentos e celebrações memoráveis. É isso o que realmente importa para nós. Coleção de vinhos de reserva O know-how levou a maison a abrigar hoje uma das maiores "bibliotecas" de vinhos de reserva da França. Marie-Christine detalha que ela é dividida em dois grupos: — Possuímos duas coleções de vinhos, pois temos dois momentos distintos no processo de elaboração de vinhos de reserva. Temos uma coleção expressiva de champanhes sobre as leveduras, sendo o mais antigo de 1892, que permanecem com as leveduras na garrafa e continuam seu processo de maturação. É uma coleção verdadeiramente única. Produzimos 77 safras de 1842 até a de 2016. Esses champanhes são extremamente preciosos, e alguns são inestimáveis, pois representam parte do patrimônio da maison. Marie-Christine Osselin, head de experiência do vinho e enologia da Moët & Chandon — Foto: Divulgação / Moët & Chandon Além deles, há os vinhos de reserva. Eles são fundamentais para um produtor de champanhe: é preciso armazenar uma parte da produção de cada ano para garantir a qualidade do champanhe sem safra declarada, utilizando-os para equilibrar a produção do ano e assegurar a consistência do estilo característico desses rótulos. — Na Moët & Chandon, temos o Brut Impérial, que é produzido em grande quantidade, mas também temos o Brut Impérial Rosé e versões demi-sec. A oportunidade e a capacidade de criar a linha Collection Impérial existem porque reservamos algumas safras específicas. Elas não foram guardadas para compor o Brut Impérial, mas sim para a Collection Impérial. O trabalho de reservar vinhos para envelhecimento em carvalho começou no início dos anos 2000, ou até antes. É por isso que a safra mais antiga da Collection Impérial é de 2000 — diz Marie-Christine. Todos os vinhos destinados ao envelhecimento em carvalho são mantidos em uma área específica da vinícola, aguardando uma possível utilização: — Esse é o ponto central e o que traz complexidade ao processo; é também por isso que consideramos essa uma cuvée de prestige, além de ser muito custoso manter esses vinhos. Como não se sabe de antemão se eles serão utilizados, a coleção atual é impressionante. Cada lote já é um blend. Não se trata apenas de um Chardonnay 2004, embora alguns o sejam. Em sua grande maioria, são misturas de safras mantidas em reserva que podem ou não ser usadas. Quando falo em blend, refiro-me à assemblage. Falo em provar vários vinhos, compreendê-los e misturá-los para criar um champanhe que, após certo tempo de contato com as leveduras na garrafa, expresse uma determinada maturidade. A adega da Moët & Chandon — Foto: Divulgação / Moët & Chandon 'Complicação' adicionada Para a Collection Impériale, ela revela que a Moët & Chandon buscou ir além na complexidade técnica — naquilo que chamamos de "complicação" na relojoaria. — Não sei se vocês são amantes de relógios aqui, mas o termo complicação tem um significado especial para eles. E aqui é uma complicação real, não apenas complexidade, pois temos uma quarta camada de complexidade na assemblage. Para o brut, misturamos variedades de uvas, diferentes crus e vinhos de diferentes parcelas. Portanto, precisamos compreender perfeitamente cada parcela, cada variedade de uva e cada origem. Para esta criação, quisemos ir além e adicionar uma camada de envelhecimento em madeira. Esta é a primeira vez que avançamos tanto e, por isso, foram necessários 20 anos de tentativas e erros. Afinal, quando se tenta algo novo, às vezes se falha. E esta é a primeira vez que nos sentimos confiantes para dizer: sim, está pronto para ser apresentado, pronto para ser vendido e pronto para ser apreciado. Marie-Christine explica ainda que a dosagem também é fundamental no champanhe. Trata-se da adição de uma pequena quantidade de açúcar, chamada de licor de expedição, antes de colocar a rolha na garrafa. Isso permite que se defina se a bebida será doce ou seca. — Existem champanhes muito secos e outros muito doces, com inúmeras opções intermediárias. Por isso, ela avalia que há muito espaço para a criatividade na produção de champanhe. O Collection Impériale Création Nº 1 é um inédito champanhe brut nature da marca. — Fizemos três rodadas de degustação às cegas para encontrar a dosagem ideal para a Collection Impériale, considerando a possibilidade de uma dosagem extra. Testamos três, quatro, cinco gramas de açúcar. E por que não zero? Nas três vezes, tivemos que reconhecer que a dosagem zero era a melhor para este vinho excepcional. É, portanto, o primeiro brut nature da história da Moët & Chandon. É também o primeiro brut nature na categoria cuvée de prestige. Marie-Christine explica que o champanhe apresente notas de evolução, seguidas por nuances do contato com o carvalho — baunilha, coco, cravo, louro, além de fruta cristalizada intensa, com toques de mel. — Esse bouquet é fascinante. A cada minuto, uma nova camada se revela, como se dissesse: "Olá, sou eu, sou a Collection. No paladar, vivenciamos uma jornada de frescor e textura, que é resultante do contato com o carvalho. É algo que talvez não se espere de imediato, mas dominamos essa técnica de envelhecimento dos vinhos. Por fim, a bela personalidade e o carisma deste champanhe revelam-se em seu final salino. Moët & Chandon: ícone da região da Champagne — Foto: Divulgação / Moët & Chandon 'Champanhe é um vinho' Com relação à harmonização, ela explica que a Moët & Chandon quer as pessoas conheçam melhor o champanhe e compreendam que é um vinho. — Queremos mantê-lo como a bebida das celebrações, mas também abrir a mente das pessoas para apreciá-lo como vinho. Harmonizá-lo com uma boa comida — e, quando digo boa comida, não me refiro necessariamente à alta gastronomia, mas sim a uma boa escolha de acompanhamento. Isso cria um momento especial para ser descoberto. É uma descoberta maravilhosa e também uma forma de redescobrir o vinho, de degustá-lo de maneira diferente. Para Marie-Christine, quando se busca a alta enologia, como é a proposta do Collection Impériale Création Nº 1, espera-se harmonizar com a alta gastronomia. — Mas, se escolho um Brut Impérial, posso ir a um restaurante bem casual — não menos preciso, mas com uma proposta menos elaborada, talvez sem produtos de luxo —, apenas para me divertir e comer bem. E o champanhe consegue harmonizar com pratos de qualquer lugar. Estou convencida disso; depois de trabalhar desde 2017 com harmonizações de champanhe, tenho certeza de que existe um champanhe para qualquer situação. Basta encontrar o champanhe certo. Tudo depende de ser rosé ou branco, da dosagem, da safra, do tempo de maturação. Certamente existe uma opção para cada prato, para cada ocasião. O clássico champanhe Moët & Chandon Brut Imperial — Foto: Divulgação / Moët & Chandon Pioneiros em sustentabilidade Marie-Christine diz que a Moët & Chandon foi pioneira na viticultura sustentável em Champagne. Todos os vinhedos são certificados — inclusive com a certificação Haute Valeur Environnementale (HVE - Alto Valor Ambiental). O selo é conferido pelo governo francês ao atestar o compromisso das propriedades agrícolas com a sustentabilidade. — Como líderes, precisamos mostrar o caminho e trazer as pessoas conosco; por isso, incentivamos. Não forçamos, mas incentivamos todos os viticultores parceiros a buscarem a certificação. Hoje, mais de 80% deles já são, e concluiremos esse processo em poucos anos. Estamos na reta final. Quanto aos vinhedos, temos um compromisso de não utilizar herbicida. Também foram desenvolvidos tratores elétricos para preservar o solo não apenas dos vinhedos da Moët & Chandon, mas a todos do grupo Moët Hennessy. — Temos um compromisso firme com a manutenção de solos vivos. Estamos convencidos de que tudo vem do solo e precisamos protegê-lo. No passado, utilizavam-se muitos produtos químicos, e agora precisamos ajudar o solo a se recuperar. Em termos de produção, nossas instalações, especialmente as mais modernas, refletem esse cuidado. Além disso, a maison desenvolve o programa Natura Nostra, focado em resgatar a biodiversidade nos vinhedos. Foram plantadas pequenas árvores e arbustos para criar corredores ecológicos. Isso é importante porque a paisagem típica de Champagne é composta por florestas, colinas com vinhedos, vilarejos e o rio. — Como há vinhedos por toda parte, faltam opções para que a biodiversidade — pássaros e pequenos insetos — possa transitar da floresta para o restante da paisagem. Por isso, estamos reintroduzindo árvores e criando uma extensão de cem quilômetros de áreas arborizadas. Também reservamos partes dos vinhedos especificamente para permitir que a natureza retome seu espaço. Vinha da Moët & Chandon, em Champanhe — Foto: Divulgação / Moët & Chandon O desafio das mudanças climáticas Indagada sobre os desafios que a região de Champanhe enfrenta, Marie-Christine ressalta a onda de calor que a França está enfrentando: — Como vocês sabem, a França está enfrentando um calor extremo. Por isso, estou convencida de que o desafio atual não é apenas para os viticultores; é um desafio para todos. Falando sobre o manejo dos vinhedos, estamos certos de que o aquecimento global trará muitas mudanças. Primeiramente, o clima está mais quente. Ele também apresenta contrastes maiores e fenômenos mais violentos: quando faz calor, o calor é intenso; quando faz frio, ocorrem geadas extremamente severas na primavera, como aconteceu no ano passado. Há tempestades muito violentas e, quando chove, a precipitação é intensa. Tudo isso está mudando. Ela acrescenta que as temperaturas mais elevadas fazem com que insetos migrem do Sul para o Norte, obrigando os produtores a enfrentar doenças que antes não existiam em Champagne. — Paralelamente, não queremos mais utilizar produtos químicos, o que torna o desafio ainda maior. Estamos testando diversas soluções. Desde 2019, por exemplo, pedimos aos nossos viticultores — e àqueles com quem trabalhamos — que identifiquem videiras que apresentem características particulares, seja por uma maior resistência ou por qualquer outra diferença notável no vinhedo. Pedimos a eles que selecionem uma pequena parte da vinha e a tragam para a maison. Ela revela que a Moët & Chandon tem hoje, temos uma "biblioteca" de videiras — um local que abriga réplicas daquelas cepas que se destacaram por características específicas. — Talvez nessa biblioteca encontremos soluções para videiras resistentes à seca, às geadas e aos insetos; essa é uma das abordagens que estamos testando. Também estamos experimentando o cultivo com maior espaçamento entre as linhas. Como se sabe, a densidade de plantio em Champagne é muito alta. Assim, em alguns vinhedos, tentamos manter a mesma densidade total, mas aumentando o espaço entre as fileiras para reduzir a concentração das plantas. Isso diminui tanto o risco de doenças quanto o de desidratação. Isso resulta, porém, em uma produção menor. De qualquer forma, pode ser uma solução. Além disso, o departamento de pesquisa e desenvolvimento da marca está trabalhando com viticultura de precisão. São realizadas análises de DNA para detectar a presença de míldio (doença que ataca videiras) antes de ele se tornar visível, justamente para reduzir a necessidade de tratamentos. — Afinal, quando a doença é detectada a olho nu, significa que ela já está presente há várias semanas. Se conseguirmos tratá-la com bastante antecedência, utilizamos uma quantidade mínima de produto e garantimos a eficácia. Do ponto de vista do mercado, Marie-Christine explica que a maison não quer que as pessoas bebam mais, mas que bebam melhor. — Queremos que as pessoas, quando quiserem uma boa taça de espumante, escolham o champanhe. Que entendam a qualidade, que reconheçam o que é um bom vinho em vez de um vinho apenas mediano. E isso se dá por meio da educação, da comunicação. Ela acrescenta que talvez seja necessário modernizar a imagem do champanhe também. — Foi por isso, por exemplo, que o Ice Impérial foi criado: para oferecer um champanhe casual, menos formal, um pouco mais descontraído. Uma maneira casual e espontânea de beber champanhe de forma diferente, mas ainda assim um bom champanhe, bem elaborado, porém sob uma ótica distinta, refletindo outro estilo de vida. O Collection Impériale Création Nº 1 dá início a uma contagem regressiva para o 300º aniversário da Moët & Chandon, que será comemorado em 2043. A partir do lançamento dele, novas créations serão reveladas nas próximas seguintes. À venda a partir de R$800 no Rodeo Club.
Moët & Chandon lança champanhe inovador que reúne sete grandes safras; conheça o rótulo
Maison classifica o vinho ícone Collection Impériale Création Nº 1 como um produto de alta enologia








