O convite a Mauro Vieira foi aprovado pela comissão de forma simbólica e ainda não foi definida uma data para a audiência com o chanceler, que não é obrigado a comparecer. O pedido de esclarecimentos faz referência a um documento assinado por Mauro Vieira que foi encaminhado à Câmara dos Deputados em resposta a uma solicitação do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). Agora no g1 O requerimento de convite foi apresentado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). "É imperioso compreender os fundamentos geopolíticos e de Inteligência que basearam o alerta do Itamaraty, as providências diplomáticas coordenadas pelo governo brasileiro e as estratégias em curso para salvaguardar a autonomia jurisdicional e a soberania do Estado brasileiro frente a medidas unilaterais externas", afirmou Mourão no pedido de convite. Presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que qualquer medida que envolva atuação militar em território brasileiro de "respeitar a ordem jurídica e os mecanismos de cooperação". "O combate ao crime organizado exige firmeza, mas também coordenação entre Estados soberanos", concluiu. Posicionamento do Itamaraty No texto enviado à Câmara, o ministro comenta a decisão norte-americana sobre o PCC e o CV. "Adicionalmente, tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiros, migratórios e penal. Finalmente, há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro", escreveu Mauro Vieira. "A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional", diz o ministro. O chanceler também afirma que "não houve comunicação formal dos Estados Unidos ao Brasil sobre a intenção de designar de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras", e que "o governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida". "A designação de organizações criminosas como terroristas não trará benefícios", diz o ministro. Nesse contexto, Mauro Vieira afirma ainda que a medida "representa riscos concretos à soberania nacional". O chanceler Mauro Vieira em imagem de arquivo — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados