O frio chega, o casaco sai do armário e os espirros parecem vir junto. A baixa temperatura, porém, não provoca sozinha o agravamento de rinites, sinusites, asmas e outros problemas respiratórios crônicos.

"O que acontece é que o inverno reúne uma série de fatores que favorecem o aparecimento ou a piora dos sintomas", diz Fátima Rodrigues Fernandes, alergista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo.

No inverno, as pessoas ficam mais tempo em ambientes fechados e com pouca ventilação, afirma a alergista e imunologista Fernanda Soubak, da rede INKI. Esse cenário aumenta a exposição a alérgenos, como ácaros da poeira, pelo de animais e mofo, que, muitas vezes, estavam junto das roupas de frio guardadas.

O tempo seco também contribui para uma mucosa nasal mais sensível a irritantes externos, como fumaça e perfumes. De acordo com Georgiana Hueb, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, a redução da umidade do ar neste período vem acompanhada de maior concentração de poluentes, decorrente do processo de inversão térmica nas grandes cidades.

O resultado é um nariz com menos capacidade de filtrar partículas e mais sujeito a espirros, coriza e obstrução —quadro que se agrava com a maior circulação de vírus respiratórios nesta época.