Pessoas empurram carro sem combustível ao lado de lixo em Havana, capital de Cuba — Foto: AP Foto/Jorge Luis Banos Protestos isolados eclodiram em Havana na noite de terça-feira (7). Moradores bateram panelas, buzinaram e gritaram "acendam as luzes", enquanto milhões de cubanos enfrentavam mais um apagão em meio a um bloqueio de combustível imposto pelos EUA que já dura seis meses. Cuba sofreu na segunda-feira (6) o seu terceiro apagão nacional deste ano. Embora o governo tenha afirmado que a maior parte da rede elétrica foi reconectada no final da terça-feira, muitas regiões continuaram no escuro devido à grave escassez de combustível. A UNE, operadora da rede elétrica, informou ter restabelecido a conexão entre as extremidades oeste e leste da ilha, mas Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, permaneceu sem energia. A crise se agravou após os EUA cortarem o fornecimento de combustível a Cuba e imporem novas sanções que provocaram a debandada de empresas estrangeiras e o colapso quase total do turismo. Washington tenta pressionar o regime comunista a realizar eleições e libertar presos políticos, mas Cuba e a ONU afirmam que as sanções americanas violam o direito internacional e os direitos humanos. Nos bairros periféricos de Jaimanitas e Santa Fé, centenas de moradores exaustos foram às ruas, enquanto outros esperavam nas calçadas durante a noite quente. Já habituados a apagões de 30 horas ou mais, muitos se resignaram a outra noite sem dormir. "Não vejo uma solução rápida", desabafou o morador Amauri Gonzalez. "Nossas usinas são obsoletas e não há combustível." Em algumas áreas de Santa Fé, a energia retornou logo após o início do panelaço, fazendo com que os manifestantes corressem para casa. As negociações entre os dois países estão estagnadas. Em debate na Assembleia Geral da ONU, o embaixador americano Michael Waltz culpou o governo cubano pelo colapso energético. "Mudem seus hábitos e reacendam a luz para o seu povo", declarou. No entanto, quase todos os países que discursaram durante o debate pediram a Washington que pusesse fim ao bloqueio econômico à ilha.