Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) politizam a ameaça de um novo tarifaço de Donald Trump, o governo brasileiro apresentou ao americano argumentos técnicos e sensatos contra a medida protecionista. Tão sensatos que o próprio Brasil deveria levá-los mais em conta em suas políticas comerciais.
Em documento enviado ao USTR, responsável pela gestão do comércio exterior nos EUA, o Itamaraty contesta os motivos elencados pelo órgão para recomendar impostos de 25% sobre uma série de produtos do Brasil —as alegações incluem decisões judiciais contra plataformas digitais, desmatamento ilegal, enfraquecimento do combate à corrupção e até o Pix, entre outros.
Além de tratar de cada um desses temas, o texto também cuida de apontar, com propriedade, as perdas para a economia americana. Relata que 43 empresas e associações daquele país pediram exceções ao tarifaço, devido à ausência de substitutos locais e ao risco de os custos serem passados aos consumidores.
Nas palavras do Itamaraty, seriam afetadas "empresas, cadeias produtivas, investidores e consumidores de ambos os lados".
Trata-se de um reconhecimento singelo de que o protecionismo comercial, historicamente praticado por populistas de esquerda e direita a título de defesa da economia nacional, prejudica o bem-estar das sociedades.










