Gerando resumoBRASÍLIA - A participação do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública em Washington (EUA) sobre a investigação de supostas práticas desleais adotadas no comércio pelo Brasil foi “deslocada do ambiente técnico”. PUBLICIDADEA avaliação é de empresários brasileiros e representantes do setor privado que participaram dos painéis do dia, ouvidos pelo Estadão/Broadcast. Alguns interlocutores classificaram a atuação do senador como “constrangedora”.Flávio Bolsonaro apostou em um discurso político e de ataques ao governo Lula durante a sua apresentação. De acordo com interlocutores, o senador focou a fala em três temas: regulação das redes sociais, a corrupção no Brasil e a defesa do Pix. PublicidadeSenador e pré-candidato à Presidência apostou em discurso político e de ataques ao governo Lula durante a sua apresentação Foto: Pedro Kirilos/EstadãoTambém acenou indiretamente para as eleições presidenciais deste ano. Flávio Bolsonaro pediu ainda a não aplicação de novas tarifas sobre os produtos importados brasileiros, alegando que favoreceriam o governo Lula.Para interlocutores ouvidos pela reportagem, a presença do senador e pré-candidato à Presidência em oposição ao governo Lula deturpa o debate técnico. “As discussões são muito técnicas. Ele está em ambiente deslocado”, afirmou um representante do setor privado, citando tom eleitoral da apresentação do senador. De acordo com os interlocutores, apesar do tom político adotado por Flávio Bolsonaro, as interpelações feitas pelas autoridades do governo americano mantiveram o pragmatismo e o teor comercial e econômico. PublicidadeLeia maisNos EUA, Flávio Bolsonaro cita corrupção, Pix, Master, STF e acena para eleição; leia bastidoresFlávio optou por sugerir adiamento do tarifaço com ‘claro objetivo eleitoreiro’, diz governo LulaOutra ala do setor privado minimiza eventuais ruídos gerados pela participação do senador na audiência, embora avaliem que o discurso tenha destoado do ambiente técnico. A audiência pública foi realizada no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas desleais do Brasil. Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. A audiência integra as etapas finais da investigação feita pelo governo americano.O USTR deverá publicar o resultado final da apuração, após as consultas públicas. No relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção a grande parte dos produtos agropecuários. PublicidadeA consulta pública foi iniciada ontem com a participação de uma série de entidades do setor produtivo brasileiro. Nesta terça-feira, entidades que representam o setor privado brasileiro também participam da consulta pública. A audiência é vista pelos setores como a oportunidade de ampliar a lista de exceções e evitarem a aplicação da nova sobretaxa.Em nota, o governo do presidente Lula afirmou que Flávio demonstrou “claro objetivo eleitoreiro” durante sua participação do debate.
Setor privado vê Flávio deslocado do debate nos EUA e com atuação constrangedora; leia bastidor
Senador e pré-candidato à Presidência apostou em discurso político e de ataques ao governo Lula durante a sua apresentação













