0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cerrado perdeu 348 mil hectares, entre 1985 e 2025 da porção de água superficial ou subterrânea que existia naturalmente na região — Foto: Lucas Guaraldo/Ipam RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 16:46 Desaparecimento de Águas Naturais no Cerrado Ameaça Ecossistemas O Cerrado perdeu 38% de seus rios, lagos e lagoas naturais nas últimas quatro décadas, devido à conversão de vegetação em pastagens, supressão de áreas úmidas e aumento da captação de água. A área de corpos hídricos naturais caiu cerca de 348 mil hectares, enquanto reservatórios e barragens cresceram 496 mil hectares. Isso compromete a resiliência do bioma, aumentando a insegurança hídrica e ameaçando ecossistemas e modos de vida tradicionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A conversão de vegetação nativa em pastagens, a supressão de áreas úmidas, a expansão da drenagem artificial e o aumento da captação de água estão entre os fatores que ajudam a explicar a redução de 38% da área de rios, lagos e lagoas no Cerrado nas últimas quatro décadas. As áreas de corpos hídricos naturais do bioma — porções de água superficial ou subterrânea que ocorrem naturalmente na paisagem — encolheram cerca de 348 mil hectares entre 1985 e 2025. No mesmo período, a área ocupada por reservatórios e barragens hidrelétricas, os chamados corpos hídricos antrópicos, cresceu 496 mil hectares, um aumento de 87%. O levantamento, coordenado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), integra da quinta edição do MapBiomas Águas, mostra que o Cerrado acumula 25 anos consecutivos com área de corpos hídricos naturais abaixo da média histórica, estimada em cerca de 680 mil hectares. Em 2025, a área registrada foi de 559 mil hectares, 17% inferior a essa média. A perda de água em corpos hídricos naturais atingiu 77% das regiões hidrográficas do Cerrado. Os casos mais expressivos foram registrados nas regiões do Paraguai, Paraná e Tocantins-Araguaia, que perderam, respectivamente, 894 mil, 82 mil e 61 mil hectares de superfície de água natural entre 1985 e 2025. Em termos proporcionais, as maiores reduções ocorreram nas bacias do Paraguai (56%), Paraná (29%) e São Francisco (12%). Joaquim Pereira, pesquisador do Ipam e um dos responsáveis pela produção dos dados, ressalta que, à medida que a água se concentra em estruturas artificiais, a paisagem perde resiliência diante de eventos climáticos extremos. Com isso, diminui sua capacidade de regular naturalmente o ciclo hidrológico, tornando-se mais dependente de infraestrutura e mais vulnerável às secas. Embora reservatórios e barragens sejam essenciais para o abastecimento humano, a produção agrícola e a geração de energia elétrica, Pereira destaca que eles "não substituem a função ecológica e os serviços ecossistêmicos prestados pelos corpos hídricos naturais". — Proteger os remanescentes de vegetação nativa do Cerrado, especialmente as áreas úmidas e as nascentes, é essencial para reduzir os riscos à segurança hídrica do bioma. Reverter a tendência atual é um desafio de difícil previsão, diante da crescente demanda por água para abastecimento, geração de energia e irrigação. Ao mesmo tempo em que a "antropização" amplia os riscos e a construção de hidrelétricas e reservatórios altera o fluxo da água e a conectividade dos habitats, o principal fator continua sendo a mudança no uso da terra — afirma o pesquisador. Segundo Pereira, essas mudanças comprometem os ecossistemas ao provocar perda de habitats, degradação de áreas úmidas, redução da conectividade entre ambientes aquáticos e impactos sobre espécies que dependem dos corpos hídricos naturais. Para as populações humanas, os efeitos incluem maior insegurança hídrica, riscos ao abastecimento, ameaças à produção agropecuária no médio e longo prazo, prejuízos aos modos de vida tradicionais e à pesca de subsistência, além do aumento das disputas pelo uso da água.
Cerrado perde 38% de rios, lagos e lagoas em quatro décadas
Cerrado perde 38% de rios, lagos e lagoas em quatro décadas







