Na primeira visita de um líder americano à Turquia em 11 anos, Trump foi recebido pelo presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, em uma pomposa cerimônia de Estado Donald Trump cumprimenta Recep Tayyip Erdogan ao chegar para a cúpula da OTAN em Ancara, Turquia — Foto: Doğukan Keskinkılıç, Pool Photo via AP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta terça-feira (7), que suspenderá as sanções impostas à Turquia pela compra de mísseis de defesa da Rússia e sinalizou disposição de vender caças F-35 ao país, aliado na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental). Na primeira visita de um líder americano à Turquia em 11 anos, Trump foi recebido pelo presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, em uma pomposa cerimônia de Estado, durante a qual soldados turcos montados a cavalo escoltaram a comitiva até o palácio presidencial. Os dois líderes trocaram elogios em seus pronunciamentos. Trump afirmou que havia "química" com Erdogan e que a relação com a Turquia nunca esteve melhor. O clima amistoso representou uma guinada quase completa em relação ao distanciamento que marcou os laços bilaterais durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Sob Trump, o histórico de deterioração dos direitos humanos na Turquia e as medidas autoritárias de Erdogan nunca foram motivo de grande preocupação para Washington. Apesar da melhora nas relações, a compra, pela Turquia, do sistema russo S-400 em 2019, bem como a imposição, por Washington, de sanções em 2020 contra uma importante empresa turca do setor de defesa e a exclusão do país do programa dos caças furtivos F-35, são há muito tempo um ponto de atrito. Resolver essas questões eliminaria um dos principais focos de tensão na relação bilateral, mas isso dificilmente ocorrerá rapidamente. "Vamos retirar as sanções", disse Trump a jornalistas pouco antes de sua reunião com Erdogan, durante visita à Turquia para uma cúpula da Otan. "Já é hora. Não queremos sancionar amigos", afirmou, acrescentando que o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, trabalham na questão. Questionado se tinha alguma preocupação com o fato de Ancara ainda manter os sistemas russos S-400, respondeu que não. "Não tenho nenhuma preocupação com qualquer assunto relacionado à Turquia", disse. "Diria que a relação com a Turquia hoje provavelmente está melhor do que jamais esteve." Trump também indicou que poderá apoiar a venda de caças furtivos F-35 à Turquia, embora não tenha explicado como a operação poderia ocorrer diante dos obstáculos legais e das objeções do Congresso dos EUA. "A Turquia tem sido, em muitos aspectos, muito mais leal do que outros países que imaginávamos que seriam leais", disse Trump. "É um grande avião, o melhor, de longe o melhor avião atualmente. E certamente é algo que vamos considerar." Erdogan também disse esperar um desfecho positivo para o desejo de Ancara de comprar caças F-35. "Já discutimos isso antes com os EUA e nos prometeram cinco aeronaves", afirmou, acrescentando que Trump "sempre cumpre suas promessas." O Congresso aprovou uma lei que proíbe qualquer venda de F-35 à Turquia enquanto o país mantiver os sistemas S-400, sob o argumento de que o equipamento russo representa um risco de segurança para aeronaves de combate fabricadas pelos EUA. Atualmente, a legislação americana não permite que a Turquia opere ou mantenha o S-400 caso queira retornar ao programa do F-35. Mais cedo, duas fontes com conhecimento do assunto disseram à Reuters que Trump deveria apoiar uma eventual venda de F-35 à Turquia. Uma solução que ganhou força nas últimas semanas é transferir o sistema russo para um terceiro país, embora ainda não haja acordo fechado nesse sentido, segundo as fontes, que pediram anonimato por tratarem de assunto sensível. Os aliados da Otan veem cada vez mais a Turquia, que possui o segundo maior Exército da aliança e é um dos principais exportadores de drones armados, como um baluarte contra a agressão russa no flanco sudeste, enquanto preocupações com direitos humanos e liberdade de imprensa raramente são manifestadas. À medida que Trump intensifica suas críticas à Otan pelo que descreve como a recusa da aliança em ajudar na guerra contra o Irã, é improvável que os membros critiquem o enfraquecimento da democracia e do Estado de Direito na Turquia, especialmente depois de o presidente republicano afirmar que talvez nem tivesse participado da cúpula da Otan se o convite não tivesse partido de Erdogan. A Turquia vive uma repressão judicial sem precedentes contra o principal partido de oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), incluindo a prisão de seu candidato à Presidência, o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal rival político de Erdogan.