Presidente americano diz que retirará sanções contra Ancara; aliança anuncia contratos de defesa de mais de US$ 50 bilhões para responder às cobranças de Washington 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, recebe Donald Trump na chegada à base aérea de Etimesgut, perto de Ancara, para a cúpula da Otan — Foto: Murat Cetinmuhurdar / Presidência da Turquia / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 13:50 Trump Sinaliza Venda de F-35 à Turquia e Fortalece Laços com Erdogan Donald Trump elogiou sua "química" com Erdogan e sinalizou a possível venda de F-35 à Turquia, enquanto a Otan busca mostrar força militar. Trump afirmou que retirará sanções contra Ancara, abrindo caminho para o retorno da Turquia ao programa dos caças. A Otan anunciou contratos de defesa de mais de US$ 50 bilhões, respondendo às pressões de Washington para elevar os gastos militares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que Washington vai retirar as sanções impostas à Turquia após a compra de um sistema russo de defesa antimísseis que levou Ancara a ser excluída do programa dos caças F-35. A declaração foi feita durante sua chegada à capital turca para a cúpula da Otan, em um movimento que pode abrir caminho para o retorno do país ao projeto americano, uma das principais prioridades do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Trump afirmou que a venda dos caças F-35 à Turquia é “certamente algo que vamos considerar”, acrescentando que seu governo trabalha para remover as sanções impostas com base na Lei de Combate aos Adversários da América por Meio de Sanções. Segundo o New York Times, que cita quatro altos funcionários do governo Trump, o presidente tentará autorizar a venda contornando a legislação existente e o Congresso, que poderia se opor à decisão. — Vamos retirar as sanções, certo? — disse Trump durante reunião com Erdogan no palácio presidencial em Ancara. A Turquia foi retirada do programa do F-35 em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, depois de adquirir sistemas de defesa aérea S-400 da Rússia. Na época, Washington afirmou que o equipamento russo poderia permitir que Moscou coletasse informações sobre a tecnologia furtiva do caça americano e suas capacidades militares. Ainda existem obstáculos legais para que a Turquia seja plenamente reintegrada ao programa. Uma lei aprovada pelo Congresso americano em 2020 bloqueia a venda de F-35 a menos que o governo conclua que a Turquia não possui mais os sistemas russos. De acordo com um dos americanos envolvido nas negociações, os S-400 da Turquia — muitos dos quais ainda estão em seus contêineres de transporte — poderão ser entregues a um terceiro país. Um segundo funcionário afirmou que o mecanismo ainda não foi definido. Há quatro anos, houve discussões sobre transferir os mísseis para a Ucrânia, onde poderiam ter sido usados para combater ataques russos, mas a iniciativa fracassou, e hoje parece improvável que Trump ou Erdogan estejam dispostos a vender os poderosos sistemas russos à Ucrânia. Houve discussões sobre tornar os sistemas inoperantes, talvez removendo peças essenciais. Críticas entre aliados Resolver a questão não deve ser fácil. Em junho de 2025, o embaixador Thomas J. Barrack Jr. previu que o impasse sobre os F-35 seria resolvido até o fim do ano e indicou que o Congresso apoiaria a decisão. Mas a resolução não veio, e Trump agora enfrenta a possibilidade de que este Congresso — ou o próximo — não concorde. Alguns republicanos, incluindo o senador Jim Risch, que lidera a Comissão de Relações Exteriores, têm sido críticos ferrenhos. Ao mesmo tempo, aliados do presidente americano no exterior também expressaram preocupação com a medida. Na segunda-feira, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu que os EUA não vendam os caças ou motores F110 para a Turquia, argumentando que essas transferências “desestabilizariam o equilíbrio de poder no Oriente Médio”, que, segundo ele, é garantido pela superioridade militar de Israel e pela presença americana na região. Em entrevista à Fox News antes da partida de Trump para a cúpula, Netanyahu também criticou o governo de Erdogan, acusando o líder turco de apoiar o Hamas e ameaçar Israel, ao mesmo tempo em que afirmou que os laços entre Washington e o Estado judeu continuam fortes. O primeiro-ministro descreveu a Turquia como “um grande país”, mas afirmou que ela é governada por “um regime infectado pela Irmandade Muçulmana, um movimento extremista que grita ‘Morte à América’”. Referindo-se a Erdogan, ele disse que o presidente turco “ameaça abertamente Israel de destruição”, “ocupa metade de Chipre”, membro da Otan, e ameaça a Grécia, outro membro da aliança. Ele também acusou Ancara de apoiar o Hamas, dizendo que as autoridades turcas “financiam o Hamas, abrigam o Hamas, estendem o tapete vermelho para o Hamas”, acrescentando que elas estão “na verdade apoiando os caras maus”. A ‘química’ entre os líderes Trump e Erdogan, no entanto, destacaram repetidamente sua relação próxima enquanto se reuniam pouco depois da chegada do presidente americano a Ancara. O líder turco o recebeu com uma elaborada cerimônia de boas-vindas, que contou com disparos de canhões, militares a cavalo e aviões sobrevoando o local liberando fumaça nas cores vermelha, branca e azul. Já o republicano, que frequentemente reclama de seus aliados europeus, disse que não teria participado da cúpula deste ano se não fossem seus laços próximos com Erdogan. — Às vezes você se dá bem com as pessoas mais difíceis, como ele — disse Trump, apontando para Erdogan. — Francamente, se [a cúpula] não tivesse sido realizada na Turquia, onde meu amigo por acaso é um líder forte, uma pessoa muito forte, é possível que eu não tivesse comparecido. O que existe entre nós é química. Erdogan — a quem o presidente americano chamou de “meu amigo” no mês passado — afirmou que confia que Trump resolverá a disputa e permitirá o retorno da Turquia ao programa. O presidente turco também disse que recebeu uma promessa pessoal do líder americano e afirmou acreditar que a cúpula produzirá “uma decisão favorável sobre os F-35”, destacando que, nesses assuntos, “Trump sempre cumpre sua palavra”. Críticas à Otan A relação próxima entre Trump e Erdogan é vista por integrantes da Otan como uma possível forma de reduzir tensões dentro da aliança. Mais cedo, a Otan apresentou uma série de projetos militares avaliados em bilhões de dólares — um investimento que o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, chamou de “dinheiro bem gasto”. Trump, porém, chegou ao encontro criticando novamente os aliados europeus e dizendo estar decepcionado com a organização, especialmente pela postura de países membros durante a guerra contra o Irã. — Fiquei muito decepcionado com a Otan — disse Trump ao lado de Erdogan, indicando que estava “testando” os aliados para saber se eles apoiariam os EUA no conflito. — Eu estava colocando-os à prova (...) estava testando para ver se eles estariam lá ou não, porque há muito tempo digo que nós os ajudamos, mas não tenho certeza de que eles estariam lá por nós. A pressão de Trump sobre os países europeus para aumentarem seus gastos militares tem sido um dos principais pontos de tensão dentro da aliança. A Otan, como organização, não possui armas — elas pertencem aos 32 países-membros —, mas mantém uma frota de 14 aviões de alerta antecipado e vigilância por radar AWACS que têm cerca de 50 anos, além de alguns drones de vigilância mais novos. Um acordo para substituir os aviões antigos foi anunciado nesta terça. A fabricante sueca Saab fornecerá até dez novas aeronaves de vigilância GlobalEye para um consórcio de dez países, e a aliança também anunciou um contrato com o grupo Airbus para fornecer uma décima aeronave A330 MRTT, usada para transporte militar e reabastecimento aéreo. Segundo um diplomata da aliança, o valor total dos contratos anunciados supera US$ 50 bilhões. — Precisamos garantir que estamos transformando nosso poder econômico em capacidades militares, colocando o dinheiro para trabalhar: dos planos de defesa aos drones, do dinheiro aos mísseis e interceptores — afirmou Rutte. No ano passado, os integrantes europeus da Otan e o Canadá se comprometeram, sob pressão de Trump, a elevar seus gastos de defesa para 5% do PIB até 2035. A Espanha foi o único país a não aderir ao objetivo. A tentativa dos aliados de demonstrar maior capacidade militar ocorre em meio às críticas de Trump à Otan. O americano já classificou a organização como um “tigre de papel” e afirmou que ela dependeria dos EUA para funcionar. Nesta terça, Trump voltou a dizer que não precisava do dinheiro dos aliados, mas cobrava lealdade. — Não precisamos do dinheiro deles, não precisamos de nada — disse. — Eu só quero lealdade. (Com AFP e New York Times)
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