Gerando resumoO presidente Donald Trump chegou a Ancara, capital da Turquia, nesta terça-feira, 7, para a cúpula da Otan, enquanto a aliança militar transatlântica anunciava bilhões em acordos de armas numa tentativa de apaziguar o volátil líder americano.PUBLICIDADEA Otan apresentou uma série de projetos militares avaliados em bilhões de dólares — um investimento que o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, chamou de “dinheiro bem gasto”. Países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte e “empresas dos dois lados do Atlântico vão (...) assinar contratos que somam bilhões, literalmente bilhões de dólares”, afirmou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.PublicidadeSegundo um diplomata que acompanha as negociações, o valor dos contratos supera 50 bilhões de dólares (256 bilhões de reais).O presidente Donald Trump chegou a Ancara, capital da Turquia, nesta terça-feira, 7, para a cúpula da Otan.A Otan, como organização, não possui armas — estas são propriedade dos 32 países membros —, mas tem uma frota de 14 aviões de alerta antecipado por radar AWACS, com cerca de 50 anos de idade, além de alguns drones de vigilância mais recentes.Um acordo para substituir as aeronaves obsoletas foi anunciado nesta terça-feira. A fabricante sueca Saab fornecerá até 10 novas aeronaves de vigilância GlobalEye para um consórcio de 10 países, anunciou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson.Publicidade“É um momento de grande orgulho”, disse ele, observando que a aeronave bimotora seria “fabricada dentro da aliança para toda a aliança”.Alguns dos projetos serão financiados com recursos de um sistema de empréstimos a juros baixos para fins de defesa, criado pela União Europeia, que totaliza até 170 bilhões de dólares captados nos mercados de capitais.“Precisamos garantir que estamos traduzindo nosso poderio econômico em capacidades militares, aplicando os recursos financeiros em projetos de defesa, drones, mísseis e interceptores”, disse Rutte.PublicidadeTrump cumprimenta Erdogan na Casa Branca Foto: Evan Vucci/AP ‘Tigre de papel’Trump classificou a Otan como um “tigre de papel” que deixaria de funcionar sem armas e liderança americanas. No fórum de terça-feira, Michael Duffy, subsecretário de Defesa dos EUA, afirmou: “A realidade é que precisamos de aumentos na produção em todos os setores”.“Pretendemos aumentar as nossas exportações para aqueles que desejam comprar os nossos equipamentos, e também procuraremos parcerias para a expansão da capacidade de produção aqui na Europa”, afirmou.Representantes de 15 nações apertaram as mãos e deram tapinhas nos ombros em um vasto pódio sob o logotipo da Otan ao anunciarem um esforço multinacional para comprar aviões de reabastecimento aéreo e transporte da Airbus.PublicidadeEm seguida, Rutte anunciou um esforço conjunto de quatro países para adquirir até cinco novos drones de vigilância Triton para adicionar à pequena frota da Otan.Reunião da Otan acontece em Ancara, na Turquia Foto: Riza Ozel/AP Photo“É um produto genuinamente fabricado na Otan e que gera empregos em ambos os lados do Atlântico”, afirmou.Rutte disse a jornalistas na véspera da cúpula de dois dias da aliança militar na Turquia : “Anunciaremos dezenas de bilhões em novos contratos que fornecerão os equipamentos cruciais de que precisamos para dissuadir e defender”.PublicidadeNo entanto, no evento de terça-feira, nenhum valor em dólares foi divulgado e a exposição incluía alguns projetos já acordados há muito tempo.O investimento da indústria de defesa ocorre algumas semanas depois de Rutte ter tentado amenizar as preocupações dos EUA sobre os gastos militares na Otan com um novo discurso usando um gráfico intitulado “O Trilhão de Trump” — mostrando US$ 1,2 trilhão em gastos de aliados europeus e do Canadá desde 2017.O que é a Otan?A aliança de defesa mútua foi criada após a Segunda Guerra Mundial, em 1949, pelos Estados Unidos, pelo Canadá e por 10 países europeus. A aliança também é conhecida pela sigla em inglês, Nato.PublicidadeO tratado que dá nome à aliança contém 14 artigos que todos os membros devem respeitar. O mais notável é o Artigo 5, que estabelece que um ataque contra um Estado-membro é considerado um ataque contra todos eles.Esse artigo colocou a Europa Ocidental sob a proteção dos EUA em um momento em que a União Soviética consolidava seu domínio sobre a Europa Central e Oriental. A Otan invocou o Artigo 5 apenas uma vez: no dia seguinte aos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.Outro ponto de atenção é o Artigo 4, que permite aos países-membros apresentar suas próprias preocupações de segurança para discussão formal. A Estônia e a Polônia invocaram esse artigo após múltiplas incursões de drones e jatos russos no espaço aéreo de países da Otan. PublicidadeFumaça paira sobre Kiev após ataques da Rússia contra a capital ucraniana Foto: ROMAN PILIPEY/AFPQuais países são membros?Além dos Estados Unidos e do Canadá, os países que passaram a integrar a Otan em 1949 foram Bélgica, Reino Unido, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Portugal.Desde então, mais 19 Estados europeus aderiram à aliança: Albânia, Bulgária, Croácia, República Tcheca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Grécia, Hungria, Letônia, Lituânia, Montenegro, Macedônia do Norte, Polônia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia e Turquia.Quando a Finlândia aderiu em 2023 — em parte como resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia —, estendeu o compromisso de defesa coletiva da aliança a um país que compartilha uma fronteira de cerca de 1.335 quilômetros (830 milhas) com a Rússia. A Ucrânia, que compartilha uma fronteira internacionalmente reconhecida de quase 2.100 quilômetros (1.300 milhas) com a Rússia, aspira há muito tempo à adesão à Otan.PublicidadeA Suécia é o país signatário mais recente do tratado, tendo aderido em 2024. O país trouxe uma indústria de defesa avançada e de alta tecnologia, além de reforçar as capacidades de dissuasão da Otan nos mares Báltico e do Norte.Quem é o líder da Otan?Mark Rutte, ex-primeiro-ministro dos Países Baixos, é o secretário-geral da Otan.Rutte assumiu o cargo em outubro de 2024, sucedendo Jens Stoltenberg, ex-primeiro-ministro da Noruega, que ocupou a função por uma década.PublicidadeRutte conquistou o cargo, em parte, devido à sua habilidade percebida de acalmar Trump, o que lhe rendeu o apelido de “encantador de Trump” (“Trump whisperer”). Seu objetivo era restaurar uma aliança fragilizada, mas Trump mostrou-se imprevisível até mesmo para Rutte. Sua relação com o presidente dos EUA também chegou a irritar os próprios líderes europeus que esperavam que Rutte apaziguasse Trump.Veja mais Cúpula da Otan na Turquia é chave para entender como Erdogan se tornou crucial para a aliançaTrump volta a atacar Meloni às vésperas da cúpula da Otan: ‘Ordem de restrição necessária’Ataque russo mata 24 pessoas na região de Kiev na véspera da cúpula da OtanComo a guerra na Ucrânia mudou a Otan?Em 2019, o presidente da França, Emmanuel Macron, descreveu a Otan como estando em “morte cerebral”, devido ao que considerava um compromisso vacilante com a defesa coletiva e à postura antagônica de Trump em relação à aliança. No entanto, desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, três anos depois, a relevância da Otan aumentou.A aliança não apenas se expandiu com a inclusão de novos membros, mas também está investindo mais recursos em defesa, incluindo o aumento da produção de tanques, projéteis de artilharia, drones e caças. Ela também está mobilizando mais tropas nas fronteiras da Rússia e aprovando planos militares mais sérios para qualquer eventual guerra.PublicidadeEmbora a aliança não forneça ajuda militar diretamente à Ucrânia, os países da Otan enviaram equipamentos avaliados em dezenas de bilhões de dólares. Todos os Estados-membros discutem a ajuda militar à Ucrânia em reuniões mensais na Base Aérea de Ramstein, na Alemanha. A aliança também tem ajudado a coordenar as solicitações de ajuda humanitária da Ucrânia./Com NYT, AP e AFP