As análises identificaram herbicidas, fungicidas e inseticidas amplamente usados em culturas predominantes na bacia do Tietê, como cana-de-açúcar, soja e citros (laranja e limão). ➡️ Após a aplicação nas lavouras, apenas parte dos agrotóxicos atinge as pragas. O restante pode ser carregado pela chuva ou infiltrar-se no solo, chegando a rios, córregos e outras fontes de água. O estudo, conduzido pelo Laboratório de Ecotoxicologia do CENA/USP, identificou a presença de atrazina, herbicida usado no Brasil para controlar plantas daninhas, mas proibido na União Europeia desde 2004 por causa dos riscos ao meio ambiente e à saúde humana. Em alguns trechos do Tietê, a concentração de atrazina superou o limite estabelecido pela Resolução Conama nº 357/2005, que define os padrões de qualidade da água em rios brasileiros. Pesquisa aponta contaminação em todos os trechos do Rio Tietê Os herbicidas tebutiurom e clomazona, por sua vez, foram encontrados em todos os pontos de coleta ao longo do rio. As maiores concentrações dessas substâncias foram registradas no trecho entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, região marcada pela intensa atividade agrícola. Mesmo na região da nascente, em Salesópolis, considerada relativamente preservada, foram identificados herbicidas e inseticidas. Veja abaixo a lista dos agrotóxicos encontrados e a frequência com que foram detectados nas amostras de água coletadas em 14 pontos do rio Tietê. Tebutiurom: 100%Clomazona: 100%Diurom: 92,86%Ciproconazol: 85,71%Hexazinona: 85,71%Atrazina: 85,71%Terbutilazina: 85,71%Acetamiprido: 85,71%Azoxistrobina: 78,57%Ametrina: 78,57%Metalaxil-M: 71,43%Tebuconazol: 71,43%Metribuzim: 71,43%Prometrina: 64,29%Fipronil: 64,29%Imidacloprido: 57,14%Malationa: 50%Bentazona: 42,86%Tiametoxam: 42,86%Bromacil: 28,57%Propamocarbe: 21,43%Trifloxistrobina: 14,29%Fludioxonil: 14,29%Indaziflam: 7,14%Mesotriona: 7,14% Riscos ambientais e para a saúde Segundo o estudo, os fungicidas e inseticidas encontrados no rio podem prejudicar peixes e outros organismos aquáticos. Entre os impactos estão alterações no funcionamento do organismo desses animais, mudanças de comportamento e desequilíbrios na cadeia alimentar. O problema pode ser ainda maior quando diferentes agrotóxicos estão presentes ao mesmo tempo, já que a combinação dessas substâncias pode potencializar seus efeitos. "Embora processos naturais de diluição e autodepuração ocorram ao longo do rio, especialmente nos trechos Médio e Baixo Tietê, a água dessas regiões é utilizada para abastecimento público, o que suscita preocupações adicionais", diz o relatório. "Isso porque os sistemas convencionais de tratamento nem sempre são plenamente eficazes na remoção de diversos contaminantes orgânicos, incluindo diferentes classes de agrotóxicos", acrescenta. Expedição Tietê A expedição percorreu mais de 1.100 quilômetros do rio Tietê entre os dias 9 e 14 de junho de 2025, da nascente, em Salesópolis, até a foz no rio Paraná, em Itapura. Equipe utilizou barcos em diversos trechos da expedição para poder coletar a água no ponto médio entre as margens. — Foto: SOS Mata Atlântica
25 tipos de agrotóxicos são detectados no rio Tietê | G1
Entre eles, está a atrazina, herbicida que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou, em 2024, como potencialmente cancerígeno.






